Arlindo

Ardano da Costa

Com seu riso largo, Arlindo conquistou uma multidão de amigos em seus 28 anos de Sul Brasileira, Albarus e Dana e, hoje, atua como voluntário na Fundação Casa dos Sonhos, em Gravataí.

Sua história começou em São Leopoldo – ele morava em Novo Hamburgo e já trabalhava em fábrica desde os 15 anos de idade. “Eu já conhecia a Sul Brasileira como ‘Borrachinha’, apelido que tinha na cidade, e alguns colegas meus de Ginásio resolveram se candidatar para trabalhar lá e me convidaram para ir também”, lembra. Arlindo morava perto da empresa e foi admitido como Operador de Máquina – o curioso é que seus colegas não passaram na entrevista admissional. “Depois que fui admitido, perguntei porque eu havia sido escolhido, e a Maria Luiza, gerente de Recursos Humanos da época, me disse que, como eu já era mais ‘despachado’, acabei passando confiança pra ela”, ri Arlindo.

Ele conta que aquele começo foi difícil, pois a fábrica ainda era rudimentar em 1972, ano em que foi contratado. “Ainda não se tinha noções de segurança industrial, ergonomia, 5S… Tudo era muito diferente nesta época mas eu estava acostumado, afinal, ajudava meu pai desde os 7 anos de idade – ele fazia serviços gerais – e já tinha também 5 anos de vivência em fábrica, então, aquele era meu chão”, afirma. Arlindo ficou trabalhando como Operador durante 1 ano, até que o dono da empresa, Valter Almeida, resolveu ouvir os funcionários, que estavam insatisfeitos com sua remuneração. “Eu tomei, então, a palavra e falei que não íamos deixar de trabalhar com o mesmo empenho de sempre, mas que queríamos retorno deste trabalho. Ele perguntou, então, como era meu nome e disse que, a partir daquele dia, ia começar a me observar melhor – mas eu não sabia se isso era bom ou ruim”, brinca. Valter Almeida viajou, então, para a Europa a fim de aprimorar seus conhecimentos sobre o processo produtivo de vulcanização por compressão através de novos conceitos de moldes para a fabricação especifica da linha de Orings e Retentores. “Na volta ele passou na minha máquina e pediu minha opinião sobre esse novo processo.Trocamos algumas idéias e lá se foi o Sr. Valter. Passou-se algum tempo, fui promovido a chefe de linha de produção”, conta, aos risos.

Arlindo diz que foi um recomeço desafiador, pois ele ainda era muito jovem – tinha apenas 20 anos – mas tinha algo muito importante a seu favor: a amizade forte com todo o pessoal de fábrica. “Houveram alguns percalços, mas aos poucos, o pessoal foi entendendo que eu estava ali pra ajudar – minha sorte é que eu sempre tive jeito com gente”, afirma. 2 anos mais tarde, a Sul Brasileira foi comprada pela Albarus, que era seu maior cliente, e Arlindo seguiu atuando nessa mesma função de liderança até 1987.

Ele conta que a compra da Sul Brasileira pela Albarus trouxe inúmeras mudanças positivas para a companhia, como o refeitório, melhorias estruturais na fábrica e até mesmo a mudança para uma estrutura maior e melhor de fábrica em Gravataí. “Estávamos saindo de uma situação um tanto embaraçosa para melhorar muito estruturalmente – lembro que o engenheiro Miotti ficou encarregado pelo layout da nova fábrica e que o engenheiro Regner estava muito presente neste processo todo – era um time muito competente que nos passava confiança e conhecimento, crescemos muito com este processo”, afirma.

Durante os primeiros 5 anos de atividade em Gravataí, Arlindo seguiu morando em Novo Hamburgo – a Albarus fornecia transporte gratuito para os colaboradores mas ele tratou de conversar com a esposa Eva e os dois decidiram mudar-se para Gravataí em 1985. “Foi muito boa esta mudança, já tínhamos familiaridade com algumas pessoas que foram para São Leopoldo implantar o estilo albariano, como o Helmuth Baumgarten, e foi muito bacana”, conta. Em 1987, nasceria o filho do casal, Wellington, para coroar ainda mais esta fase feliz.

O passo seguinte da carreira de Arlindo foi trabalhar no Departamento de Custos – embora ele nunca tivesse trabalhado no setor administrativo da empresa, tinha muito conhecimento de fábrica, então foi designado a trabalhar ajudando neste setor da empresa. “Trabalhei inicialmente com o Jorge Vargas em, depois com o Luiz Luderitz – de lá, fui trabalhar na Engenharia de Processos, onde fiquei por mais 2 anos”, conta.

Ele diz que aprendeu muito nestes dois setores, mas ficou feliz mesmo quando pôde voltar para dentro da fábrica. “Eu gosto muito deste ambiente – nenhum dia é igual e as pessoas dali são fantásticas – por isso, fiquei muito animado ao saber que iria substituir Paulo Rocha em suas férias – na época, ele atuava Gerente de Produção da fábrica”, explica. Arlindo diz que esse período foi muito recompensador, pois a empresa conseguiu conquistar a ISO 9001 – a experiência deu tão certo que Arlindo seguiu atuando na função de chefe de produção por aproximadamente 10 anos.

Depois disso, Arlindo trabalhou mais 1 ano na área de Almoxarifado da fábrica, até sair da empresa, em 2000 – ele já estava aposentado desde 1996. “Mas não consegui ficar muito tempo parado, e atuei em outras fábricas por mais 10 anos – a borracha é uma ‘cachaça’”, conta, aos risos. “Ao todo, fiquei 28 anos na Dana, uma empresa que foi uma verdadeira escola pra mim – ela me desafiava a ser cada dia melhor e não trabalhar em uma só área. O saldo final é muito positivo, me sinto feliz quando encontro o pessoal da fábrica na rua, nos abraçamos… Isso é muito bom!”, conclui.

Hoje, Arlindo trabalha há 3 anos como Diretor Administrativo na Fundação Casa dos Sonhos, fundada por albarianos para ajudar crianças no turno inverso da escola que fica no Rincão da Madalena, em Gravataí.  

Arlindo Ardano da Costa

“Ao todo, fiquei 28 anos na Dana, uma empresa que foi uma verdadeira escola pra mim – ela me desafiava a ser cada dia melhor e não trabalhar em uma só área. O saldo final é muito positivo, me sinto feliz quando encontro o pessoal da fábrica na rua, nos abraçamos… Isso é muito bom!”