Angela Teresinha

Campiol

Com uma doçura marcante, Angela Teresinha Campiol trabalhou durante 33 anos dentro da fábrica de cardans e diz que só tem lembranças boas de todos estes anos.

Angela nasceu em Coqueiro Baixo, um pequeno município que fica a 164 km de Porto Alegre, na Região Alta do Vale do Taquari. “Eu já era órfã de mãe e, em 1970, perdi meu pai também – como a vida no interior era muito difícil, eu decidi me mudar para Porto Alegre. Falei com uma vizinha, que conhecia uma senhora que precisava de ajuda em sua casa em Porto Alegre, e vi ali meu passaporte para uma vida melhor”, diz.

Depois de algum tempo trabalhando em casas de família em Porto Alegre, Angela já estava mais estabelecida e decidiu que era hora de procurar emprego em alguma empresa da cidade para ter mais estabilidade na vida. “Eu tinha um conhecido que trabalhava na Albarus e ele me disse pra passar lá na empresa e deixar meu currículo – fui chamada logo para fazer uma ficha e entrevista e em seguida me contrataram”, recorda.

Angela foi admitida em 25 de junho de 1984, numa época de crise financeira para o país, então agarrou a oportunidade de trabalhar em uma grande empresa com todas as forças. “A Albarus foi a primeira e única empresa onde trabalhei mas, nem nos meus sonhos mais malucos, eu imaginaria ficar ali 33 anos da minha vida, foi tudo muito bom”, resume.

Ela começou sua carreira na Inspeção Final da antiga Divisão de Juntas Universais (também conhecida como DJU) e lembra com carinho dos colegas que muito a ajudaram: Almirante Rosa de Lara e Diocarino Nunes dos Santos (os dois também veteranos da Dana). “Eles me receberam muito bem e criamos uma amizade que dura até hoje, um apoia o outro sempre que precisamos e é muito bom encontrá-los nos eventos que a Dana faz para os jubilados”, diz.

Angela ficou 5 anos na Inspeção Final, quando a Albarus ainda era em Porto Alegre. “Eu fui contratada para este setor por ser bastante cuidadosa e gostava muito de fazer esse trabalho porque sabia que minha chefia confiava muito no meu serviço”, afirma. Depois desse período, mudou-se para Gravataí, onde atuou na Divisão de Cardans, trabalhando na Retífica e Montagem.

Nas épocas de baixa da produção da fábrica, Angela voltava sempre para onde havia começado seu trabalho na Dana: a Inspeção, onde sempre foi conhecida por ser extremamente detalhista e eficiente. E, quando ela engravidou do filho Rodrigo, trabalhou até o último dia de gravidez. “E, naquele dia, rendi como nunca, inclusive – liberei 5 caixas de produto para a Exportação”, diverte-se.

Quase 3 anos depois do nascimento de Rodrigo, Angela levou um grande susto: o pequeno machucou o braço e teve uma infecção generalizada, o que o fez ficar 46 dias hospitalizado – 21 deles na UTI. “O que aconteceu dentro da empresa foi uma mobilização que eu nunca vou esquecer: diversos colegas foram doar sangue a ele, os médicos da Dana acompanharam o caso de perto e minha chefia visitou o Rodrigo várias vezes nesse período. Teve até um colega que ‘quebrou o cofrinho’ para me ajudar na compra dos remédios. Essas coisas a gente não esquece nunca”, emociona-se.

Angela retornou ao trabalho depois deste período difícil para encontrar um enorme apoio dos colegas e da empresa. “E ainda recebi o salário do tempo que fiquei com o Rodrigo no hospital, o médico da empresa vinha sempre checar comigo como ele estava, meus colegas me ajudaram muito pois era difícil deixar o pequeno para ir trabalhar…”, conta. Depois desse período difícil, Rodrigo ficou bem e, hoje, adulto, tem uma saúde de ferro.

Pouco tempo depois de voltar para a empresa, ela foi promovida a Operadora de Máquina do Terminal Pesado. “Trabalhava com o Almirante, que já era meu amigo, e fiquei muito feliz porque, devido a essa iniciativa do meu chefe Constantino Papadopoulos, ganhei um bom aumento”, afirma. Ela ocupou este cargo até a aposentadoria.

Angela trabalhou até maio de 2014 na Dana. “Eu gostava demais de trabalhar lá – a amizade que tinha na Dana era muito forte, todos éramos irmãos e queríamos ver as pessoas crescendo. E o trabalho era agradável pra mim, eu acordava feliz de ir pra lá – quando tinha feriado, eu ficava até meio triste. Essa empresa me marcou profundamente”, diz, entre lágrimas.

Hoje, sua maior alegria é o filho Rodrigo, que acabou de se formar em Administração de Empresas, e fazer hidroginástica para cuidar da saúde e da mente.

Angela Teresinha Campiol

“Eu gostava demais de trabalhar (na Dana) – a amizade que tinha lá era muito forte, todos éramos irmãos e queríamos ver as pessoas crescendo. E o trabalho era agradável pra mim, eu acordava feliz de ir pra lá – quando tinha feriado, eu ficava até meio triste. Essa empresa me marcou profundamente.”