Albino

Kellermann

Atuando na empresa por quase 41 anos, Albino Kellermann diz que seu sentimento é de gratidão por tudo o que conquistou na empresa – mas o grande destaque é para as muitas amizades que fez em toda sua carreira.

Nascido no interior de Camaquã (a 130 km de Porto Alegre), cresceu na roça, “no meio do mato”, e só veio para a cidade porque uma seca dizimou a plantação de seu falecido pai, obrigando o jovem a procurar novas oportunidades. “Cheguei aqui com uma muda de roupa na mala e um chinelo. A outra muda de roupa estava no corpo e o sapato, no pé. Tudo o que conquistei daí pra diante foi com meu trabalho na Dana, por isso, tenho gratidão por tudo o que vivi”, diz, emocionado.

Antes de entrar na Dana, trabalhou na Brasilit por 1 ano e 9 meses. “O primo do meu cunhado trabalhava na empresa e me avisou que eles estavam contratando. Fui lá, fiz a seleção e fui chamado no dia 2 de agosto de 1978 – mas só consegui começar a trabalhar no dia 15 porque a Brasilit demorou pra fazer a minha recisão. Nunca imaginei que já começaria a trabalhar faltando tudo isso de trabalho”, ri, com o bom humor costumeiro.

Albino começou então a trabalhar na fábrica de borrachas da Dana em São Leopoldo – a antiga Sul-Brasileira, que havia sido adquirida pela empresa há pouco tempo. Ele tinha apenas 23 anos e estranhou o começo, já que “era tudo diferente e eram outros tempos, as instalações em São Leopoldo eram bastante simples e fui trabalhar direto na Estamparia em um torno revólver automático que cortava tubos”, diz.

Com pouco estudo como a maioria das pessoas vindas do interior, Albino começou a estudar Mecânica Geral no SENAI e também entrou para o Ensino Fundamental do Colégio Vila Branca. “Eu morava numa pensão em Sapucaia com mais 8 rapazes e ia trabalhar de bicicleta todos os dias. Estudava à noite e, no outro dia, já estava de pé às 5 da manhã. E ainda jogava futebol antes de ir pro SENAI com os colegas de Albarus! Quando a gente é jovem, tudo é possível mesmo!”, afirma.

Albino morava em Sapucaia e ia trabalhar em São Leopoldo e ficou nessa divisão até 1980, quando a fábrica foi transferida para Gravataí. “A transição foi normal pra mim, a empresa deu a opção de quem queria ficar em São Leopoldo ou quem queria trabalhar na fábrica nova – claro que quis vir pra Gravataí ganhando a oportunidade de trabalhar na Matrizaria que fazia matrizes para as peças de elastômero. A empresa dava ônibus pra nós e, com o tempo, tudo normalizou”, afirma.

Mas ele ainda tinha um impasse: não tinha onde morar em Gravataí. “Fiquei alguns meses morando com o Toninho Gonçalves, mas ele quis sair da cidade porque, naquela época, Gravataí estava muito perigosa, especialmente na área perto da Dana. Comecei a conversar com alguns colegas dentro da empresa para buscar uma alternativa – foi quando falei com um conhecido que sempre via na fábrica, o Cláudio Machado. Ele já era casado e, até hoje, me custa acreditar que ele ofereceu sem pestanejar que eu fosse morar com ele, a esposa e o filho pequeno nessa época. Fiquei 2 anos na casa dele – e nem preciso dizer que eles são meus amigos até hoje! Uma pessoa fantástica, imagine, colocar um estranho dentro de casa! E, na frente da casa dele, conheci minha esposa Ana”, conta.

Depois de trabalhar na Divisão de Borracha em Gravataí até 1983, Albino foi transferido para Porto Alegre para fazer parte de um novo momento estratégico da empresa capitaneado por Paulo Nelson Regner. Explica-se: no início da década de 80, houve uma restrição severa às importações imposta pelas autoridades brasileiras. A partir daí, foi necessário refazer forjados e processos de usinagem de acordo com as especificações da Dana – completamente diferentes das usadas na empresa até então. A Dana criou, então, a Divisão de Mecânica (DEMEC), para que as máquinas fossem construídas dentro da fábrica. Isso fez com que a empresa crescesse mesmo nessa época de crise.

Albino começaria, então, uma trajetória de 7 anos na então chamada DEMEC – Divisão de Mecânica da Albarus, que ficava na fábrica de Porto Alegre. “Era uma turma muito boa tecnicamente e também de se trabalhar, pessoas bacanas. No começo, lembro de trabalhar com o Miotti, que também tinha ajudado na nossa mudança da fábrica de São Leopoldo pra Gravataí”, lembra. “Onde a empresa precisava de mim, lá eu estava. Trabalhei direto e lembro também quando chegou a retífica Kellerberger e fui operá-la, meus colegas riam e diziam que o Kellermann tinha ido trabalhar na Kellerberger – mas brincadeiras à parte, trabalhei muito nesse período”, afirma.

Durante toda sua carreira na Dana, Albino presenciou muitas mudanças tecnológicas dentro da fábrica e diz que admira essa capacidade que a empresa tem de se adaptar rapidamente às novas realidades de manufatura. “A Dana nos dava muitos cursos – antigamente, não tínhamos muito estudo e, por isso, a empresa nos qualificava como podia. Fiz muitos cursos dentro da empresa e consegui concluir o Ensino Médio também”, conta, orgulhoso.

Em 1990, Albino voltou para a Matrizaria de Gravataí, onde viveu bons momentos com os amigos e colegas Divino Buratto, Sérgio Pepe Fraga, Nelson Eliseu, Rudinei, Galli, Guanabara, Arlindo, Virgílio, Otelino e muitos outros. “O pessoal sempre falava da Forjaria porque sempre fomos uma divisão muito unida – se alguém precisava de algo, nos uníamos e dávamos um jeito. Se era pra fazer um churrasco, arrecadávamos o dinheiro de todo e ele saía. Jogávamos futebol, tinha o Departamento de Tradições Gaúchas, do qual fiz parte… Era uma família”, diz.

Em 1997, veio a aposentadoria por tempo de serviço – mas ele ainda sentia que tinha energia e força para trabalhar mais e mais. Por muitos anos, ele nem pensou em parar de trabalhar – sempre foi muito ativo e gostava do que fazia, além de ser querido por muitos colegas dentro da fábrica… Até que, em 2019, resolveu sair da empresa para curtir a vida e cuidar da saúde. “Eu já estava planejando parar, mas se eu te disser que não acho estranha essa nova vida, não seria verdade. AInda estou um pouco perdido, mas sei que vai dar tudo certo, ainda faz pouco tempo!”, reflete. Albino prepara-se agora para a chegada da primeira netinha, Mariana, e curte bastante a família – ele é pai de Diego e Vanessa. Junto da esposa, frequenta ativamente a Igreja, torce muito pelo seu time do coração – o Grêmio – e gosta de estar perto daqueles que ama.

“Cheguei aqui com uma muda de roupa na mala e um chinelo. A outra muda de roupa estava no corpo e o sapato, no pé. Tudo o que conquistei daí pra diante foi com meu trabalho na Dana, por isso, tenho gratidão por tudo o que vivi”.