Adão

Martins da Cunha

Ele desembarcou em Porto Alegre aos 17 anos vindo de Santa Catarina em busca de uma oportunidade melhor, mas jamais poderia sonhar que terminaria trabalhando 43 anos na mesma empresa, que até hoje considera sua segunda casa.

Natural de Sombrio (interior de SC), ouviu falar pela primeira vez da Albarus quando sua irmã, Helena, mudou-se para Porto Alegre e seu marido Nilton começou a trabalhar na empresa. “Eu tinha 17 anos e já estava com vontade de vir à Porto Alegre, então aproveitei a oportunidade e, no dia 12 de junho de 1972 acabei sendo contratado”, diz.

O começo não foi fácil, como ele lembra, mas ele tem certeza de que sua persistência – e os conselhos de sua mãe Mercedes – foram determinantes para uma carreira tão longa na mesma empresa. “Quando me dei conta, já estava acostumado com o serviço e fui promovido de Auxiliar de Fábrica a Preparador de Máquinas – e assim fui subindo de posição em toda minha trajetória, depois fui Encarregado, Contramestre, Mestre, Supervisor e Chefe de Departamento. Sempre com honestidade e trabalho duro”, orgulha-se.

Adão trabalhou sempre na Forjaria, fábrica conhecida pela união entre seus colaboradores. “Para ser chefe ali, é essencial saber trabalhar com pessoas, trabalhar em equipe, motivar e passar confiança aos outros. Quando fui promovido, tinha fama de ser linha dura, mas hoje encontro a gurizada com que trabalhei e eles agradecem pelas orientações”, afirma.

Um fato marcante na sua carreira foi a mudança da fábrica de Porto Alegre para Gravataí, que aconteceu em 1984. “Pra mim, era mais como uma mudança de casa, não só de fábrica. O pavilhão para o qual viemos estava prontinho para receber as máquinas e, desmontávamos uma máquina e trazíamos pra Gravataí – antes, havíamos feito programação de produção de 2 ou 3 meses, prevendo o período de reinstalação. Quando a máquina estava funcionando na fábrica nova, eu vinha, fazia teste e algum ajuste necessário, e voltava pra rotina em Porto Alegre. Assim foi até a última vir”, lembra.

Outra memória marcante foi o período dos seus últimos 10 anos de empresa, quando Adão estava atuando como responsável pela produção dos 3 turnos da Forjaria – ou seja, respondendo por 100% da produção daquela fábrica. “Eu tinha uma reunião todos os dias às 8h30min com o pessoal dos turnos e a cobrança era imensa e vinha de todos os lados. Foi uma fase de muito trabalho, mas também de muito reconhecimento. O pessoal de diversos setores me chamava e pedia uma ajuda sobre algo, ou opinião para ajudar a resolver um problema… Isso é muito bom, traz um reconhecimento muito grande”’, afirma.

Quando chegou perto da sonhada aposentadoria, Adão começou um processo que ele mesmo chamou de “despressurização”. “Comecei a delegar as tarefas que eu fazia pro processo acontecer naturalmente. Combinei com meu chefe da época de auxiliar caso meus colegas precisassem, mas o momento era de ensinar e deixar o pessoal capacitado, treinar as pessoas. Todo o pessoal que trabalhou comigo pode confirmar: sempre fui muito transparente e tive confiança dos meus chefes pra fazer isso também”, relata.

Adão diz que, hoje, ainda sente falta das pessoas que deixou na empresa e que faz questão de ir aos encontros dos veteranos para rever os amigos. “Afinal, foram 43 anos de empresa e eu fiz de tudo lá dentro – só não morei lá dentro porque seria impossível”, ri. Casado com Zélia Bandeira da Silva, Adão tem 2 filhos, Fábio e Tatiana, e um netinho, Felipe, de 7 anos. Pra descansar, ele adora esportes – corre e pedala bastante – uma média de 80 km por semana – e também gosta de viajar com a esposa.

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“Ainda sinto falta das pessoas que ficaram na empresa e faço questão de ir aos encontros dos veteranos para rever os amigos. Afinal, foram 43 anos de empresa e eu fiz de tudo lá dentro – só não morei lá dentro porque seria impossível”, brinca.

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