Adaide José

Miranda

De uma simplicidade tocante, Adaide José Miranda resume seu tempo de serviço na Albarus/Dana: “ao todo, foram 25 anos de trabalho”. Nascido na pequena cidade de Jaguaruna, no litoral de Santa Catarina, mudou-se para o Sul em busca de uma oportunidade de melhorar de vida. Encontrou-a na antiga Albarus.

Adaide, na época, já era casado com Cirene, sua companheira há 46 anos, e já tinham dois filhos. Um conhecido seu, que morava em Porto Alegre, comentou que a Albarus era uma boa empresa para se trabalhar. “Cheguei lá, e não tinha vaga pra mim. Mas eu tinha sido indicado para entrar na empresa pelo Valdemar, que era responsável pela Lubrificação, e mantive a esperança”, diz. Esperança essa que o fazia ir para a Albarus duas vezes por dia, durante 40 dias seguidos, para perguntar se não havia uma oportunidade esperando por ele.

Sua persistência acabou resultando na sua contratação, que aconteceu em 21 de junho de 1973. A vaga ainda não era a ideal – ele entrou para trabalhar com Serviços Gerais. “O recrutador me perguntou se tinha problema – eu ia ser chamado para fazer serviço pesado, tipo limpar a Forjaria. Eu falei a ele, então, que nunca na minha vida escolhi trabalho. Então, acabei entrando na empresa”, comemora. Adaide tinha 25 anos de idade.

Ele confessa que se assustou um pouco com a fábrica – nunca havia trabalhado em uma empresa tão grande, e em pleno desenvolvimento, como era a Albarus no início da década de 70. “Ao passar no corredor com quem estava me apresentando a empresa, vi o Valdemar, que trabalhava na Lubrificação. Ele pediu, então, para a pessoa que me levava para que eu ficasse ali trabalhando com ele”, relata. O que Adaide não imaginou foi que ficaria na Lubrificação durante toda sua carreira na empresa, por 25 anos.

Adaide trabalhou com Luiz Carlos de Oliveira e Telmo de Oliveira como encarregados, duas pessoas que marcaram muito sua vida. “Um dia, o Luiz Carlos me chamou, fez uns cálculos na minha frente e perguntou se 18% de aumento estava bom pra mim. Quase caí pra trás”, ri. “Ele falou que gostava muito do meu trabalho e essa era uma forma de reconhecer isso. Fiquei muito feliz, muito mesmo”, lembra.

Ele lembra de uma vez em que dirigiu a empilhadeira em cima de uma calçada recém-cimentada. “Não deu outra: estragou todo o trabalho. Isso aconteceu no terceiro turno e, como estava escuro, não vi nada disso. No dia seguinte, Luiz Carlos me chamou para conversar na sua sala”, relata.

Adaide, então, admitiu o erro prontamente. “Isso deixou Luiz Carlos muito feliz, por incrível que pareça. Foi minha honestidade ao admitir que tinha errado que me salvou desta situação”, conta.

Adaide lembra que, em janeiro de 1985, a Manutenção foi transferida para Gravataí. “Viemos na segunda leva da mudança, já, as coisas estavam bem estabelecidas – ajudamos na transferência de algumas máquinas antes, mas nossa mudança foi só neste ano”, relata.

Ele conta que conhecia o óleo da lubrificação pelo cheiro. “Foi uma vida toda trabalhando neste mesmo setor, eu tinha muita prática e vivência com isso. Até hoje, depois de 20 anos de aposentado, ainda sonho com meu trabalho, com a empresa, as máquinas…”, relata. Sem qualquer traço de constrangimento, ele conta que, quando chegou o dia de se aposentar e deixar a companhia, se despediu de todos os colegas e chorou. “Ainda hoje eu choro. Eu sempre tive muito amor por esta Albarus. Essa casa consegui graças à empresa, que sempre foi muito, muito boa pra mim”, explica.

O veterano conta que se aposentou em 1997, quando aconteceu a terceirização do serviço de manutenção na Dana. Ainda guarda seu crachá da Dana com todo o carinho e sente saudades até das manhãs mais frias dirigindo sua bicicleta para a empresa. “Me sinto realizado por todos estes anos – trabalhei com muito amor, muita felicidade. Se tivesse que voltar agora, estaria lá sem pensar. Acho que ainda teria a ensinar pra essa gurizada, se precisassem…. Eu gosto muito do que eu fazia na empresa”, conclui.

Adaide é pai de Aguinaldo, Joelma e Juliana, e avô de Priscila, Bruno, Vitória, Ester, Vitor, Isaías e Julia. Ele também tem dois bisnetos: Isac e Brian. Hoje, seus hobbys são cuidar de passarinhos, ver telejornal, cuidar de seus cachorros e ir à Igreja.

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“Me sinto realizado por todos estes anos – trabalhei com muito amor, muita felicidade. Se tivesse que voltar agora, estaria lá sem pensar. Acho que ainda teria a ensinar pra essa gurizada, se precisassem…. Eu gosto muito do que eu fazia na empresa.”