{"id":41177,"date":"2020-03-06T08:10:31","date_gmt":"2020-03-06T11:10:31","guid":{"rendered":"https:\/\/dana.com.br\/canaldana\/?p=41177"},"modified":"2020-03-06T08:10:31","modified_gmt":"2020-03-06T11:10:31","slug":"dia-da-mulher-a-sao-paulo-que-e-so-delas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dana.com.br\/canaldana\/2020\/03\/06\/dia-da-mulher-a-sao-paulo-que-e-so-delas\/","title":{"rendered":"Dia da Mulher: a S\u00e3o Paulo que \u00e9 s\u00f3 delas"},"content":{"rendered":"<p><em>O Estado de S. Paulo<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Bruna Toni<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Empoderamento, a palavra, nunca esteve t\u00e3o presente no vocabul\u00e1rio. Diz respeito a n\u00f3s, mulheres, e \u00e0s nossas conquistas em um mundo onde o machismo permanece. A a\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, n\u00e3o vem de hoje. H\u00e1 s\u00e9culos, mulheres t\u00eam lutado para conquistar direitos como o de ocupar a cidade sem medo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em um lugar t\u00e3o cheio de possibilidades como S\u00e3o Paulo \u2013 e com mais da metade da popula\u00e7\u00e3o sendo mulher \u2013, n\u00e3o param de florescer formas de colocarmos corpos e mentes em movimento, quebrando tabus. Por que n\u00e3o serrar madeira para construir nosso m\u00f3vel? Conhecer o corpo e descobrir novos prazeres? Ir a um bar s\u00f3 com bartenders mulheres?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para al\u00e9m de um roteiro de eventos que v\u00e3o ocorrer por conta do Dia Internacional da Mulher, no pr\u00f3ximo domingo, 8 de mar\u00e7o, selecionamos tamb\u00e9m experi\u00eancias, feitas por e para mulheres, que s\u00e3o permanentes e cujo principal objetivo \u00e9 acolher a todas n\u00f3s, com toda a nossa diversidade, estejamos sozinhas, juntas ou acompanhadas. Ocupar a cidade, afinal, \u00e9 a\u00e7\u00e3o. E da mesma fam\u00edlia de empoderar-se.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Pegando no pesado <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Marcenaria<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cEu dizia para elas: n\u00e3o quero fazer nada, quero que voc\u00eas fa\u00e7am\u201d, conta a marceneira, design e jornalista Eva Mota. Ela se refere \u00e0s amigas e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de m\u00f3veis, algo que sempre quis fazer e que foi aprendendo por insist\u00eancia, perguntando, estudando e driblando o descr\u00e9dito. Depois do jornalismo, Eva se formou em design e passou a desenhar os m\u00f3veis de seus clientes, guardando o desejo de tamb\u00e9m participar da confec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O ponto de mudan\u00e7a veio quando, ao pedir dicas a um marceneiro, foi assediada. Decidiu, ent\u00e3o, reunir as amigas no fundo de uma escola de teatro em Vit\u00f3ria da Conquista (BA), onde vivia, para ensinar tudo o que sabia sobre marcenaria. Foi o primeiro curso de um projeto que j\u00e1 est\u00e1 no terceiro ano e formou 500 mulheres, tanto na Bahia \u2013 onde deixou a fam\u00edlia \u2013, quanto em S\u00e3o Paulo, sua casa desde 2019, d\u00e1 o curso Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Marcenaria para Mulheres. Em um dia, aprende-se teoria e, tendo \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o todos os materiais (que Eva banca sozinha), as alunas colocam a m\u00e3o na massa, superando o medo de serrar e parafusar e construindo um m\u00f3vel com a cara delas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na Oficinalab (Barra Funda) ou na Oficina Colaborativa (Santana). Inscri\u00e7\u00f5es: <a href=\"http:\/\/linktr.ee\/evamotas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">linktr.ee\/evamotas<\/a>; R$ 440.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Manuten\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foi morando em rep\u00fablicas estudantis e no exterior que a engenheira florestal Mariana Avan notou a falta de um espa\u00e7o que ensinasse \u00e0s mulheres coisas simples do dia a dia, como trocar a resist\u00eancia do chuveiro ou instalar uma prateleira. Atividades que, por serem tradicionalmente ensinadas a homens, sempre geram piadinhas e m\u00e1 f\u00e9 (entre outras inconveni\u00eancias) em lojas de constru\u00e7\u00e3o e atendimento domiciliar. Ela, que adora tarefas manuais, viu a oportunidade. Como Eva, reuniu amigas para um teste e, em troca, suas \u201ccobaias\u201d palpitaram sobre o curso. Assim nasceu o Agilizalab e o curso Deixa Que Eu Fa\u00e7o, para elas aprenderem sobre manuten\u00e7\u00e3o residencial na teoria e na pr\u00e1tica. O curso b\u00e1sico ensina a mexer nas partes el\u00e9trica e hidr\u00e1ulica e dura um dia \u2013 h\u00e1 um m\u00f3dulo de pintura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na Casa Locomotiva (Vl. Madalena) e na Casa Jaya (Pinheiros). Inclui material e lumin\u00e1ria feita na aula (R$ 300); <a href=\"http:\/\/agilizalab.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">agilizalab.com<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Escola do(a) Mec\u00e2nico(a)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 o poder de trocar um pneu, de se atentar aos sinais do carro para manuten\u00e7\u00e3o, de n\u00e3o precisar esperar ajuda. Essas s\u00e3o as principais transforma\u00e7\u00f5es pelas quais passam as alunas da Escola do Mec\u00e2nico, segundo Alexandra Peres, CEO e dona de duas das 30 unidades da empresa no Brasil. Quando ela ajudou a implementar turmas femininas nos cursos b\u00e1sicos de mec\u00e2nica automotiva da escola, o objetivo era \u2013 e ainda \u00e9 \u2013 \u201cmudar a cultura generalizada que pressup\u00f5e a inexist\u00eancia de mulheres no segmento de mec\u00e2nica\u201d. E isso, aos poucos, tem ocorrido, sobretudo com o crescimento de habilitadas que levam o carro para arrumar e se sentem, segundo Alexandra, mais confiantes quando h\u00e1 uma mulher atendendo. O curso, em m\u00f3dulos, leva de um a sete meses, dependendo do quanto se quer aprender \u2013 o completo d\u00e1 certificado para trabalhar como mec\u00e2nica. H\u00e1 turmas novas todos os meses, s\u00f3 com mulheres ou mistas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A partir de R$ 900 (de 1 a 7 meses); <a href=\"http:\/\/escoladomecanico.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">escoladomecanico.com.br<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Comer e beber com conforto<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eug\u00eania Caf\u00e9 Bar<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O sonho de ter um bar permeia a mente de muitas pessoas. Ao se deparar com diversas mulheres reclamando da forma como eram tratadas nos bares, a produtora editorial Viviane Ka decidiu fazer desse sonho realidade, mas com uma condi\u00e7\u00e3o: seu bar deveria ser um espa\u00e7o onde todas nos sent\u00edssemos confort\u00e1veis. Abriu, em 2018, o Eug\u00eania, inspirado em outras mulheres inspiradoras. \u00c9 o caso daquela que d\u00e1 nome \u00e0 casa, Eug\u00eania Moreyra, jornalista, atriz e diretora que liderou o movimento sufragista no Pa\u00eds no in\u00edcio do s\u00e9culo 20. Al\u00e9m de Rita Lee, Simone de Beauvoir e Nina Simone. A biblioteca s\u00f3 tem escritoras e, no card\u00e1pio, os drinques t\u00eam refer\u00eancias femininas como Gaya, \u201ccoquetel que leva pau de canela incandescente e remete \u00e0 m\u00e3e Terra, a Pachamama, origem de todos n\u00f3s\u201d, explica. O bar n\u00e3o recebe s\u00f3 mulheres \u2013 e Viviane diz que a maioria dos homens entende a proposta. Mas sua equipe \u00e9 toda feminina. A casa oferece cursos b\u00e1sicos de coquetelaria, aberto a todos, mas a prioridade da inscri\u00e7\u00e3o \u00e9 das mulheres (4 aulas, R$ 350).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>C\u00f4nego Eug\u00eanio Leite, 953, Pinheiros, 3064-1352, <a href=\"http:\/\/bit.ly\/eugeniabar\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">bit.ly\/eugeniabar<\/a>. Ter\u00e7a a s\u00e1bado, 19h\/1h.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fit\u00f3<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cSer mulher \u00e9 algo t\u00e3o amplo\u201d \u00e9 a frase usada por Cafira Foz para come\u00e7ar a explicar o porqu\u00ea de o restaurante Fit\u00f3, onde \u00e9 s\u00f3cia ao lado de Thomaz Foz, ter uma equipe formada por muitos tipos de mulheres. \u201cTentamos abra\u00e7ar todas as diversidades, coisa que o mercado nega, tentando enquadr\u00e1-las em modelos estabelecidos. Buscamos dar espa\u00e7o \u00e0s que est\u00e3o fora do mercado h\u00e1 muito tempo, que s\u00e3o m\u00e3es, mulheres trans\u201d, diz ela. \u00c9 assim que o restaurante, de proposta descontra\u00edda e aconchegante e card\u00e1pio que valoriza a culin\u00e1ria brasileira sertaneja, foi pensado desde sua abertura, em 2017. E a ideia atrai n\u00e3o s\u00f3 mulheres, mas homens e crian\u00e7as, gente de todas as idades. At\u00e9 porque o menu d\u00e1 \u00e1gua na boca em qualquer um: entre os mais pedidos est\u00e1 o Pa\u00e7oca: carne de sol da casa puxada com farinha de mandioca, cebola roxa e manteiga de garrafa, servida com bai\u00e3o de dois, banana-da-terra e queijo de coalho (R$ 49). \u00c0s ter\u00e7as, a casa recebe \u00e0 noite o Forr\u00f3 das Minas (gr\u00e1tis).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Cardeal Arcoverde, 2773, Pinheiros, 3032-0963, <a href=\"http:\/\/fitocozinha.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">fitocozinha.com.br<\/a>. Abre todos os dias.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Leitura em dia <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>EscreViver<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foi em um dos encontros do coletivo EscreViver, dedicado a ler, discutir e divulgar autoras femininas do mundo todo, que uma das participantes, uma adolescente de 17 anos, contou que \u201ccome\u00e7ou a se entender como uma mulher negra a partir do momento em que se identificou com a hist\u00f3ria de um dos livros propostos\u201d. Quem conta \u00e9 a dupla fundadora do coletivo, Naiara Neves e St\u00e9fhanie Fanticeli, mulheres apaixonadas pelo universo da literatura e por seu poder de transforma\u00e7\u00e3o. Afinal, como elas dizem, \u201co que mais importa nos livros que lemos s\u00e3o as viv\u00eancias que conhecemos, mesmo sem ser a nossa realidade. Com isso, conseguimos compreender outras mulheres\u201d. Este ano, os encontros (gratuitos) ocorrem nas bibliotecas do Parque Villa-Lobos e do Parque da Juventude, a BSP. Amanh\u00e3, por exemplo, a obra discutida no Parque Villa-Lobos ser\u00e1 Pers\u00e9polis, da ilustradora e escritora franco-iraniana Marjane Satrapi.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Livros indicados e datas de encontros (gr\u00e1tis) em <a href=\"http:\/\/bit.ly\/escreViver\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">bit.ly\/escreViver<\/a>. Para conferir as programa\u00e7\u00f5es especiais para o Dia Internacional da Mulher nas bibliotecas: <a href=\"http:\/\/bvl.org.br e bsp.org.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">bvl.org.br e bsp.org.br<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Leia Mulheres<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou olhando para a pr\u00f3pria biblioteca: \u201cJ\u00e1 v\u00ednhamos conversando bastante sobre como t\u00ednhamos muito homem na nossa estante, sobre como nossos leitores favoritos eram homens\u201d, diz Michelle Henriques, uma das mediadoras e fundadoras do clube Leia Mulheres ao lado de Juliana Gomes e Juliana Leuenroth. A partir dessa constata\u00e7\u00e3o, decidiram se organizar e, em 2015, fizeram o primeiro encontro do clube em S\u00e3o Paulo. O projeto foi se espalhando: hoje, s\u00e3o mais de 300 mediadoras em mais de 120 cidades de todos os Estados e em Portugal. A ideia \u00e9 propor a leitura de autoras de diferentes pa\u00edses e g\u00eaneros. \u201cNo come\u00e7o, as pessoas achavam que a gente lia livros, entre muitas aspas, de mulherzinha\u201d, diz. Por isso, um dos principais objetivos \u00e9 mostrar que mulher escreve qualquer tipo de literatura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Indica\u00e7\u00e3o de livros e agenda de encontros (gr\u00e1tis) em <a href=\"http:\/\/bit.ly\/leiamulher\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">bit.ly\/leiamulher<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Um olhar sobre si mesma<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ilustra\u00e7\u00e3o e Autoconhecimento<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>S\u00e3o famosos os autorretratos que Frida Kahlo fez de si. Para al\u00e9m da arte, tratava-se de um exerc\u00edcio de reflex\u00e3o sobre si mesma. Pois essa \u00e9 a inspira\u00e7\u00e3o e a proposta da arquiteta e artista Lela Brand\u00e3o na oficina Ilustra\u00e7\u00e3o e Autoconhecimento. Idealizada como \u201cum o\u00e1sis nesse mundo machista\u201d, segundo Lela, a oficina prop\u00f5e \u00e0s participantes a troca de experi\u00eancias, observando umas \u00e0s outras e a si mesmas a partir do papel e do l\u00e1pis. Isso significa que n\u00e3o \u00e9 preciso entender de arte. \u201cA oficina \u00e9 uma viv\u00eancia em que a ilustra\u00e7\u00e3o vira ferramenta para o autoconhecimento, n\u00e3o \u00e9 para ensinar t\u00e9cnicas de desenho\u201d, explica Lela. Sem dar maiores spoilers, ela diz que, no fim, todas percebem que sabem desenhar, \u201c\u00e9 como respirar, todo mundo aprende\u201d. O curso \u00e9 para adultas, mas Lela pensa em um modelo para meninas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Atualmente na Casa Brava (Campos El\u00edsios). Turmas de at\u00e9 20 mulheres (2 vagas sociais); <a href=\"http:\/\/bit.ly\/ilustraconhece\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">bit.ly\/ilustraconhece<\/a>; R$ 134.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Metafeminino<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando Gabriela Bavay foi trabalhar com uma equipe s\u00f3 de homens, ela percebeu o quanto a produtividade deles era diferente da dela. Desde os 19 anos, por\u00e9m, a fil\u00f3sofa e coach j\u00e1 se interessava por livros e explica\u00e7\u00f5es sobre o corpo feminino. N\u00e3o teve d\u00favidas, por isso, de que as diferen\u00e7as estavam relacionadas \u00e0 natureza de cada sexo. \u201cHavia \u00e9pocas em que eu tinha muita criatividade. Noutras, tinha pouca energia. Foi nesse momento que fiz o link entre esses dois temas (trabalho e ciclo menstrual) e passei a oferecer workshops de forma paralela \u00e0 vida corporativa\u201d, conta ela, que h\u00e1 cinco anos se dedica ao trabalho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Durante dois dias, ela discute com as participantes sobre nosso corpo e suas semelhan\u00e7as com as esta\u00e7\u00f5es do ano, mostrando como, em cada momento, lidamos de um jeito diferente diante de uma mesma situa\u00e7\u00e3o. S\u00e3o levantadas caracter\u00edsticas comuns e particularidades. \u201cTem meninas que querem falar mais do ciclo menstrual, outras do processamento das emo\u00e7\u00f5es, outras querem entender como podem organizar melhor as tarefas, ent\u00e3o o curso vai mudando.\u201d O p\u00fablico do seu workshop, organizado duas vezes ao ano, \u00e9 formado por mulheres de 25 a 50 anos. Elas querem sair do automatismo dos dias, se livrando de efeitos colaterais como ins\u00f4nia e dificuldades afetivas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"1966\">\n<li>Pedroso de Morais, 2135, Pinheiros; 99952-1966. Inscri\u00e7\u00f5es: desde R$ 370; <a href=\"http:\/\/metafeminino.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">metafeminino.com.br<\/a>.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Casa Prazerela<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes de abrir a Casa Prazerela, Mariana Stock estudou o corpo e a mente humana, sempre com foco nas mulheres. Fez comunica\u00e7\u00e3o e seguiu para a psicologia social, psican\u00e1lise, massagem t\u00e2ntrica e parto tradicional. Foi percebendo, tamb\u00e9m a partir da pr\u00f3pria experi\u00eancia, que faltava um lugar que trabalhasse a \u201csexualidade feminina sem tabus, sem repress\u00f5es e orientado \u00e0 biografia pessoal de cada mulher\u201d, explica ela. De um curso sobre o tema, a ideia cresceu e, entre as diversas atividades da casa, est\u00e1 a Terapia Org\u00e1stica: durante duas horas, uma das terapeutas ouve suas hist\u00f3rias, desejos, medos, frustra\u00e7\u00f5es e curiosidades sobre sexualidade. A partir da narrativa, \u00e9 realizado um trabalho corporal no qual o objetivo \u00e9 despertar sensa\u00e7\u00f5es e prazeres. \u201c\u00c9 um profundo despertar do que \u00e9 ser voc\u00ea na sua pele\u201d, diz Mariana, que segue estudando novas formas de prazer e conhecimento do feminino.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol start=\"9897\">\n<li>Riphaina, 80, Vl. Anglo; 95061-9897. R$ 450 uma sess\u00e3o de 2h; <a href=\"http:\/\/prazerela.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">prazerela.com.br<\/a>.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Para rir e se entreter<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>TPM \u2013 Stand-up Comedy<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Formada em Ci\u00eancia e Tecnologia e professora de defesa pessoal para mulheres, Katia Guedes acompanha stand-up comedy h\u00e1 dez anos, produzindo e assistindo. Tempo suficiente para notar duas coisas: o n\u00famero reduzido de mulheres na plateia e em cima do palco e o pr\u00f3prio talento para provocar o riso nas pessoas. Pois junto a outras duas artistas, Coral Paiva e La\u00eds Freitas, K\u00e1tia pretende reverter este cen\u00e1rio com o lan\u00e7amento, no pr\u00f3ximo dia 10 de mar\u00e7o, de uma noite fixa dedicada \u00e0s mulheres comediantes no bar Al Janiah.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Batizado sabiamente de TPM, Ter\u00e7a Para Mulheres, o projeto tem como objetivo dar espa\u00e7o a meninas que queiram testar seus textos. E tamb\u00e9m atrair mais o p\u00fablico feminino, que pelas muitas piadas sexistas em shows masculinos acaba perdendo interesse, segundo ela.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m das tr\u00eas fundadoras, o TPM ter\u00e1 sempre convidadas iniciantes e profissionais \u2013 Cintia Rossini, com apresenta\u00e7\u00e3o no Netflix, far\u00e1 parte da noite inaugural. At\u00e9 abril, ser\u00e1 quinzenal, depois, semanal. \u201cQueremos mostrar que temos qualidade e podemos fazer humor \u00e1cido e cr\u00edtico em cima da viv\u00eancia das mulheres\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al Janiah: R. Rui Barbosa, 269, Bela Vista, aljaniah.com.br. Ingressos gratuitos precisam ser reservados em <a href=\"http:\/\/bit.ly\/tpmaljaniah\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">bit.ly\/tpmaljaniah<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Luduzinha<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como o TPM, o Luduzinha veio para nomear (genialmente) um projeto que rompe com a ideia de \u201cisso \u00e9 para menino, isso \u00e9 para menina\u201d. Pois na casa de jogos de tabuleiro Ludus Luderia, todo segundo domingo do m\u00eas \u2013 em mar\u00e7o cai justamente no dia 8 \u2013 \u00e9 reservado a n\u00f3s, mulheres. N\u00e3o que isso seja necess\u00e1rio para atrair o p\u00fablico feminino: hoje, mais da metade dos frequentadores (56%) \u00e9 mulher, assim como a dona e a assistente de eventos, Lucy Raposo e Ly Pucca. Contudo, torna-se um dia de troca de experi\u00eancias entre jogadoras, designers de jogos, ilustradoras, al\u00e9m de ser uma forma de receber aquelas que est\u00e3o come\u00e7ando nas artes do tabuleiro e querem se sentir \u00e0 vontade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Treze de Maio, 972, 99241-2211; <a href=\"http:\/\/bit.ly\/luduzinha\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">bit.ly\/luduzinha<\/a>. 16h\/23h.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Corpo em movimento <\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Boate Class<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 a psican\u00e1lise, a terapia comportamental, aquela que segue a linha fenomenol\u00f3gica. Mas voc\u00ea j\u00e1 ouviu falar da \u201crabaterapia\u201d? \u00c9 assim que a professora Isadora Zendron, ex-ginasta, formada em moda e apaixonada por dan\u00e7a desde pequena, define as aulas da Boate Class. \u201cSempre fui meio rebolativa, minha m\u00e3e sempre me incentivou muito. Minha fam\u00edlia \u00e9 carioca, sempre dan\u00e7amos \u00c9 o Tchan em casa, fam\u00edlia unida, m\u00e3os dadas\u201d, conta, rindo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas Isa se afastou da dan\u00e7a por alguns anos, quando a vida adulta chegou com boletos. Foi uma fase dif\u00edcil que a levou de volta \u00e0 dan\u00e7a, para \u201cse resgatar e reenergizar\u201d. \u201cA\u00ed percebi que isso era importante para todo mundo.\u201d Ao contr\u00e1rio do que se pensa, ela come\u00e7ou seu projeto desencorajada e com vergonha. Como muitas de suas alunas, que chegam \u00e0s aulas intimidadas. \u201cGosto da primeira aula porque percebo que as meninas entendem que a ideia \u00e9 se permitir, n\u00e3o importa se v\u00e3o errar ou acertar.\u201d Depois, vem a confian\u00e7a no pr\u00f3prio corpo. Por isso, a proposta da aula, focada em ritmos para rebolar e com tr\u00eas m\u00f3dulos, vai al\u00e9m de coreografias: \u00e9 terap\u00eautica. \u201c\u00c9 para que a gente se sinta bonita para si mesma, n\u00e3o para os outros.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<ol>\n<li>Martim Francisco, 291, Santa Cec\u00edlia; aula avulsa, R$ 45; pacote com 4 aulas\/ m\u00eas sai R$ 120; 8 aulas, R$ 220; <a href=\"http:\/\/bit.ly\/boateclass\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">bit.ly\/boateclass<\/a>.<\/li>\n<\/ol>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Magic Minas<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou em 2016, com amigas, apaixonadas por basquete, se reunindo na quadra do pr\u00e9dio de uma delas para jogar. Quando a quadra precisou ser fechada para reformas, o grupo, que tinha crescido bem, come\u00e7ou a pensar sobre a ocupa\u00e7\u00e3o \u2013 por mulheres \u2013 do espa\u00e7o p\u00fablico, percebendo, na pr\u00e1tica, o quanto isso \u00e9 dif\u00edcil. \u201cA presen\u00e7a das Magics (em uma quadra p\u00fablica no centro da cidade) incomodou e os homens passaram a disputar o espa\u00e7o para jogar futebol\u201d, contam. Desrespeitaram combinados de hor\u00e1rios e as intimidaram para que abandonassem o local.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Conseguiram o inverso: uma mobiliza\u00e7\u00e3o foi chamada pelas redes sociais e, numa segunda-feira, a quadra foi ocupada por cerca de 100 mulheres, entre elas a \u201cmusa inspiradora\u201d do grupo, a medalhista ol\u00edmpica na modalidade Magic Paula \u2013 o nome \u00e9 uma homenagem a ela misturado ao termo \u201cminas\u201d, de meninas. O resultado foi a conquista do respeito no que era combinado e a proje\u00e7\u00e3o do grupo como s\u00edmbolo do que a uni\u00e3o feminina pode fazer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hoje, as Magic Minas se re\u00fanem tr\u00eas vezes por semana em diferentes quadras p\u00fablicas \u2013 e o coletivo segue aberto a todas as mulheres que gostem de basquete e queiram treinar e se divertir num espa\u00e7o acolhedor. H\u00e1 inclusive uma treinadora, o que motiva a cobran\u00e7a de uma taxa de participa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre 20h e 22h; segundas: Pra\u00e7a Rotary, Vl. Buarque (R$ 10 por aula); quartas: Pq. da Aclima\u00e7\u00e3o (gr\u00e1tis); sextas: Centro Esportivo Man\u00e9 Garrincha, Vl. Clementino (R$ 10 por aula); <a href=\"http:\/\/bit.ly\/magicmina\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">bit.ly\/magicmina<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Spiritual Surf<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dalila Foti, restauranteur e coach, observava o marido surfar quando a vontade de estar ali, fazendo o mesmo, venceu o trauma da adolesc\u00eancia \u2013 20 anos antes ela havia \u201ctomado um caldo\u201d e nunca mais se arriscara no mar. \u201cEu disse: \u2018n\u00e3o vou ficar aqui na areia, n\u00e3o\u2019\u201d. Era 2018 e ela decidiu procurar um professor para retomar a atividade. Na primeira aula, j\u00e1 ficou em p\u00e9 e dropou uma onda. Para se livrar dos medos, fez curso de apneia e foi percebendo que a hostilidade dos homens com mulheres surfistas t\u00eam diminu\u00eddo. \u201cEu tinha de entrar com meus irm\u00e3os antes.\u201d Fez t\u00e3o bem que ela teve a certeza de que tinha de levar mais mulheres para o surfe.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uniu seus conhecimentos de coach com sua paix\u00e3o pelo mar e criou a Spiritual Surf, com um curso que, al\u00e9m de ensinar o esporte a mulheres, busca cur\u00e1-las de seus medos e frustra\u00e7\u00f5es: s\u00e3o tr\u00eas dias em uma casa no litoral de S\u00e3o Paulo, com trocas de experi\u00eancias, aulas de surfe e de ioga, al\u00e9m de outras atividades, como aulas de jiu-jitsu e atendimento terap\u00eautico. \u201cBarreiras s\u00e3o quebradas, elas viram a chave, come\u00e7am a fazer academia. Queremos faz\u00ea-las olhar para dentro, se priorizar mais\u201d, diz Dalila. Exig\u00eancias? Saber nadar \u2013 e pode ser s\u00f3 \u201ccachorrinho\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tr\u00eas dias de curso na praia a R$ 1.280, com tudo inclu\u00eddo. H\u00e1 tamb\u00e9m: curso de um dia de wakeboard em Mairipor\u00e3 (R$ 330) e aul\u00e3o de funcional surfe e performance no Parque do Ibirapuera (R$ 35); <a href=\"http:\/\/spiritualsurf.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">spiritualsurf.com.br<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sisterwave<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O sonho de Jussara Pellicano Botelho era conhecer o But\u00e3o. Ela assim o fez e aproveitou para ir tamb\u00e9m \u00e0 Tail\u00e2ndia. Como viajante sola, come\u00e7ou a notar, na pr\u00e1tica, quais os problemas enfrentados por mulheres viajantes, sobretudo as que est\u00e3o sozinhas. Depois, quando fez um mochil\u00e3o com uma amiga, chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que faltava algo unisse mulheres como elas, dando suporte nas viagens. \u201cEncontrei outras mulheres no caminho e era muito recorrente essa necessidade de ter uma rede de apoio pr\u00f3pria, uma comunidade que apoiasse a mulher a viajar e que a conectasse tamb\u00e9m com outras mulheres que s\u00e3o moradoras daquele lugar\u201d, conta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Depois que retornou ao Pa\u00eds, trabalhou para tirar do papel o projeto de criar essa rede, o que ocorreu em 2018, com a cria\u00e7\u00e3o da Sisterwave, uma plataforma para a mulheres viajantes feita por mulheres viajantes. S\u00e3o dois os seus prop\u00f3sitos: reunir anfitri\u00e3s \u2013 hoje s\u00e3o 360 hospedeiras, em 130 cidades brasileiras, 43 delas em S\u00e3o Paulo \u2013 e ser uma comunidade feminina para a troca de dicas, contatos, assist\u00eancia e at\u00e9 para encontrar companhia em algum lugar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m de nos ajudar com a seguran\u00e7a \u2013 ass\u00e9dio sexual e viol\u00eancia, vulnerabilidade e culpabiliza\u00e7\u00e3o pela ocupa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o p\u00fablico s\u00e3o problemas que os homens, afinal, n\u00e3o enfrentam em suas viagens -, a plataforma \u00e9 tamb\u00e9m um jeito de descobrirmos roteiros que fogem aos tradicionais (e s\u00e3o, por consequ\u00eancia, mais baratos) e de nos conhecermos melhor como mulheres independentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Todas as anfitri\u00e3s t\u00eam os dados verificados e \u00e9 poss\u00edvel estabelecer uma conversa com elas antes de fechar neg\u00f3cio. \u201cE quanto mais parecidas as duas forem, mais f\u00e1cil. Cria-se uma amizade\u201d, conta Jussara. Se houver conex\u00e3o, ent\u00e3o, ser\u00e1 como receber uma amiga em casa. Em breve, o Sisterwave dever\u00e1 incluir uma funcionalidade na plataforma onde, j\u00e1 no destino, uma viajante pode procurar por companhia para um passeio espec\u00edfico que eventualmente n\u00e3o queira fazer sozinha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A plataforma cobra uma taxa de intermedia\u00e7\u00e3o das anfitri\u00e3s, mas o servi\u00e7o da comunidade de dicas e trocas \u00e9 gratuito; <a href=\"http:\/\/sisterwave.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">sisterwave.com<\/a>. (O Estado de S. Paulo)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Estado de S. Paulo &nbsp; Bruna Toni &nbsp; Empoderamento, a palavra, nunca esteve t\u00e3o presente no vocabul\u00e1rio. Diz respeito a n\u00f3s, mulheres, e \u00e0s nossas conquistas em um mundo onde o machismo permanece. A a\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, n\u00e3o vem de hoje. 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