{"id":32934,"date":"2019-03-12T09:20:31","date_gmt":"2019-03-12T12:20:31","guid":{"rendered":"https:\/\/dana.com.br\/canaldana\/?p=32934"},"modified":"2019-03-12T09:20:31","modified_gmt":"2019-03-12T12:20:31","slug":"o-novo-mapa-das-montadoras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dana.com.br\/canaldana\/2019\/03\/12\/o-novo-mapa-das-montadoras\/","title":{"rendered":"O novo mapa das montadoras"},"content":{"rendered":"<p><em>Isto \u00c9 Dinheiro <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um t\u00edpico munic\u00edpio do interior de S\u00e3o Paulo, Itirapina integra o chamado Circuito da Serra do Itaqueri, regi\u00e3o entrecortada por morros, vales, reservas florestais, rios, cachoeiras e atrativos como a Represa do Broa. Essa paisagem se tornou o destino de muitos amantes dos esportes radicais. Mais recentemente, no entanto, ela atraiu outro p\u00fablico: os executivos da montadora japonesa Honda, que escolheram o local para instalar a nova f\u00e1brica da empresa no Brasil. Com um aporte de R$ 1 bilh\u00e3o, a unidade entrou opera\u00e7\u00e3o no fim de fevereiro. A cidade comemorou. Com o aumento de arrecada\u00e7\u00e3o, a expectativa \u00e9 saltar do or\u00e7amento anual de R$ 70 milh\u00f5es para R$ 150 milh\u00f5es, em 2025.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A pouco mais de 240 quil\u00f4metros dali, outra cidade vive dias de espera. Mas o sentimento \u00e9 de incerteza. Em meados de fevereiro, a Ford anunciou que ir\u00e1 fechar a sua f\u00e1brica em S\u00e3o Bernardo do Campo, no ABC Paulista, at\u00e9 o fim de 2019. Respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o de caminh\u00f5es e do modelo Fiesta, a instala\u00e7\u00e3o emprega 2,8 mil funcion\u00e1rios diretos e outros 1,5 mil fornecedores. Uma proje\u00e7\u00e3o do Observat\u00f3rio de Pol\u00edticas P\u00fablicas, Empreendedorismo e Conjuntura da Universidade Municipal de S\u00e3o Caetano do Sul (USCS), a pedido da DINHEIRO, prev\u00ea, no entanto, uma redu\u00e7\u00e3o de at\u00e9 30 mil empregos em toda a cadeia, um contingente muito superior aos 17,9 mil habitantes de Itirapina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esses dois exemplos refor\u00e7am a consolida\u00e7\u00e3o de uma tend\u00eancia e sinalizam uma nova rota para o setor automotivo. Ber\u00e7o do desenvolvimento da ind\u00fastria automobil\u00edstica no Brasil em meados da d\u00e9cada de 1950, o ABC Paulista chegou a ser batizado de \u201cDetroit brasileira\u201d, em refer\u00eancia \u00e0quele que j\u00e1 foi o maior centro de produ\u00e7\u00e3o de autom\u00f3veis dos Estados Unidos. E assim como ocorreu na \u201cmotor city\u201d americana, o ABC tamb\u00e9m perdeu espa\u00e7o no novo mapa das montadoras. Esse movimento teve in\u00edcio em 1976, quando a Fiat inaugurou sua f\u00e1brica em Betim (MG). Mas ganhou tra\u00e7\u00e3o de fato no fim dos anos 1990 e, especialmente, neste s\u00e9culo. Marcas japonesas, sul-coreanas e francesas desembarcaram no Pa\u00eds e, ao lado das gigantes Volkswagen, Ford, GM e Fiat, buscaram novas regi\u00f5es para sua produ\u00e7\u00e3o local.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 1990, quando a fabrica\u00e7\u00e3o em S\u00e3o Paulo estava praticamente restrita ao ABC, o Estado respondia por 74,8% da produ\u00e7\u00e3o brasileira. Hoje, esse \u00edndice \u00e9 de 46,6%, segundo a Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Fabricantes de Ve\u00edculos Automotores (Anfavea). Polos mais novos, como Minas Gerais, Paran\u00e1 e Bahia t\u00eam uma participa\u00e7\u00e3o de 14,5%; 11,6% e 7,7%, respectivamente. Desde 2012, esses e outros Estados foram o ber\u00e7o de 14 projetos que, somados, concentraram um investimento inicial de R$ 17,8 bilh\u00f5es. Em contrapartida, se concretizado, o fechamento da f\u00e1brica da Ford no ABC pode trazer s\u00e9rias consequ\u00eancias para o setor em todo o Brasil. \u201cEm dez anos, o impacto do fechamento dessa unidade pode ser superior a R$ 35 bilh\u00f5es\u201d, afirma Jefferson Jos\u00e9 da Concei\u00e7\u00e3o, economista e professor da USCS. \u201cSuponho que entre 50% e 60% desses n\u00fameros refiram-se ao Grande ABC.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma s\u00e9rie de componentes explica a perda do dom\u00ednio do ABC. A concentra\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria no antigo polo foi o motor para o surgimento e a consolida\u00e7\u00e3o de um movimento sindical extremamente forte &#8211; e muitas vezes radical &#8211; na regi\u00e3o. De l\u00e1 para c\u00e1, n\u00e3o foram poucas as greves e paralisa\u00e7\u00f5es que colocaram em xeque as estrat\u00e9gias das montadoras. \u201cEsse contexto onerou a folha de pagamento e os encargos trabalhistas. Fabricar no ABC ficou mais caro\u201d, afirma Milad Neto, analista da consultoria Jato Dynamics. O ambiente desencorajou investimentos e favoreceu a busca por cidades que, at\u00e9 ent\u00e3o, n\u00e3o possu\u00edam um hist\u00f3rico no setor. \u201cAs pr\u00f3prias estruturas dos novos projetos deixavam isso bem claro\u201d, diz Paulo Roberto Garbossa, diretor da consultoria ADK Automotive. \u201cOs port\u00f5es passaram a ficar bem longe do ch\u00e3o de f\u00e1brica. Nem com os microfones mais sofisticados era poss\u00edvel ouvir qualquer manifesta\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>F\u00e1brica no interior: com um investimento inicial de R$ 1 bilh\u00e3o, a nova unidade da Honda no Brasil iniciou suas opera\u00e7\u00f5es no fim de fevereiro em Itirapina, interior paulista. A unidade vai produzir o modelo Honda Fit e tem capacidade nominal de fabrica\u00e7\u00e3o de 120 mil carros por ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Alto custo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio desenvolvimento das cidades do ABC ajudou a frear a atratividade. Os custos imobili\u00e1rios na regi\u00e3o avan\u00e7aram no decorrer dos anos, bem como o maior adensamento das \u00e1reas residenciais no entorno das f\u00e1bricas. A hipervaloriza\u00e7\u00e3o do metro quadrado dificultou a busca por terrenos e trouxe desafios de log\u00edstica para acompanhar o crescimento vivido pelo setor. A migra\u00e7\u00e3o para pra\u00e7as mais distantes do principal mercado consumidor do Pa\u00eds elevou os custos de distribui\u00e7\u00e3o. Mas esses fatores foram compensados, na maioria das vezes, em outras esferas. Com o poder de barganha de iniciativas bilion\u00e1rias, capazes de gerar milhares de empregos e movimentar a economia de cidades at\u00e9 ent\u00e3o com poucas perspectivas, as montadoras passaram a receber pacotes de incentivos fiscais nos \u00e2mbitos federal, estadual e municipal. O ABC perdeu a vantagem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cPara todos os executivos da Ford, desde supervisores do ch\u00e3o de f\u00e1brica at\u00e9 gerentes e diretores, o an\u00fancio de fechamento da f\u00e1brica n\u00e3o chega a ser uma grande surpresa\u201d, garantiu \u00e0 DINHEIRO um ex-alto executivo da empresa em S\u00e3o Bernardo do Campo. \u201cH\u00e1 muitos anos, talvez d\u00e9cadas, todos l\u00e1 sabiam que a unidade \u00e9 tecnologicamente defasada, subaproveitada e com baixa competitividade em termos de custos. O fechamento da unidade para melhorar a rentabilidade era uma quest\u00e3o de tempo.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A descentraliza\u00e7\u00e3o em busca de menores custos de produ\u00e7\u00e3o para as montadoras n\u00e3o \u00e9 uma estrat\u00e9gia restrita ao contexto brasileiro. \u201cGlobalmente, a ind\u00fastria automotiva vem perdendo sua for\u00e7a e suas vendas. E, cada vez mais, a briga por efici\u00eancia se d\u00e1 na casa dos centavos\u201d, observa Milad Neto, da Jato Dynamics. Essa abordagem tamb\u00e9m tende a privilegiar o investimento em novas unidades ou mesmo na moderniza\u00e7\u00e3o de f\u00e1bricas mais recentes, em detrimento de projetos antigos e muitas vezes obsoletos. \u201cV\u00e1rias plantas tradicionais tendem a ser fechadas\u201d, afirma Concei\u00e7\u00e3o, da USCS, destacando, entre outros aspectos, as estruturas que apresentarem maior dificuldade para a implanta\u00e7\u00e3o de novas tecnologias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Carga tribut\u00e1ria<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A mesma tend\u00eancia ocorre em outras partes do mundo. A GM anunciou no fim de 2018 uma reestrutura\u00e7\u00e3o que incluir\u00e1, entre outras medidas, o fechamento de quatro f\u00e1bricas nos Estados Unidos, al\u00e9m de uma unidade no Canad\u00e1, com o corte de 14,5 mil empregos. A montadora j\u00e1 havia encerrado opera\u00e7\u00f5es em pa\u00edses como \u00c1frica do Sul, Austr\u00e1lia e R\u00fassia. O processo envolveu ainda a venda de neg\u00f3cios na Europa, em 2017, para a PSA, respons\u00e1vel pelas marcas Citro\u00ebn, Peugeot, DS e Opel. A subsidi\u00e1ria brasileira da GM tamb\u00e9m est\u00e1 na berlinda. Em janeiro, a companhia amea\u00e7ou deixar o Pa\u00eds, no que foi visto por parte do mercado como um blefe para pressionar sindicatos, concession\u00e1rias e o governo em busca de benef\u00edcios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em artigo publicado no dia 25 de fevereiro no jornal Valor Econ\u00f4mico, Carlos Zarlenga, CEO da GM para o Mercosul, respondeu \u00e0s alega\u00e7\u00f5es de que o setor j\u00e1 goza de uma s\u00e9rie de incentivos e, em contrapartida, pratica, historicamente, os pre\u00e7os mais caros da ind\u00fastria global. Entre outros fatores, ele apontou a \u201ccarga tribut\u00e1ria direta absurda\u201d e afirmou que os encargos sobre a produ\u00e7\u00e3o local de um ve\u00edculo chegam a 50% de seu valor. O executivo citou ainda desafios como problemas de infraestrutura e a falta de uma pol\u00edtica de impostos espec\u00edfica para desonerar a produ\u00e7\u00e3o destinada \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o. \u201cNossas f\u00e1bricas s\u00e3o refer\u00eancia mundial em efici\u00eancia e produtividade. Nosso dever de casa j\u00e1 est\u00e1 feito e mesmo assim as contas n\u00e3o fecham\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio de resultados restritos &#8211; e de paci\u00eancia curta &#8211; ajuda a explicar o fechamento da f\u00e1brica da Ford em S\u00e3o Bernardo. A empresa, que anunciou recentemente a decis\u00e3o de direcionar seu foco para SUVs e picapes, registrou um preju\u00edzo de US$ 4,5 bilh\u00f5es em suas opera\u00e7\u00f5es na Am\u00e9rica do Sul, entre 2013 e 2018. \u201cN\u00e3o existe empresa sem lucro. Companhia que n\u00e3o d\u00e1 retorno fecha, quebra ou muda para outro lugar\u201d, afirma Mauro Correia, CEO da rede de concession\u00e1rias Caoa, que tamb\u00e9m fabrica modelos da Hyundai, em An\u00e1polis (GO). Ele tamb\u00e9m \u00e9 presidente da Caoa Chery, neg\u00f3cio resultante da fus\u00e3o, no fim de 2017, da marca brasileira e da montadora chinesa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O executivo confirmou que o grupo, maior distribuidor da Ford na Am\u00e9rica Latina, tem interesse na aquisi\u00e7\u00e3o da unidade em quest\u00e3o. Mas ressaltou que essa ideia ainda \u00e9 embrion\u00e1ria. \u201cEssa seria a melhor alternativa para esse caso\u201d, opina Garbossa, da ADK Automotive, que aponta a figura de Carlos Alberto de Oliveira Andrade, fundador e presidente do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da Caoa como a principal justificativa para essa afirma\u00e7\u00e3o. \u201cCarlos \u00e9 um Midas da ind\u00fastria automotiva. Onde ele coloca a m\u00e3o, d\u00e1 dinheiro.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Alian\u00e7as<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Todo esse panorama tem ainda como pano de fundo os desafios de reinven\u00e7\u00e3o no caminho da ind\u00fastria automotiva. Quatro elementos, em particular, comp\u00f5em o quadro: carros el\u00e9tricos, aut\u00f4nomos e conectados, al\u00e9m do compartilhamento de ve\u00edculos, uma tend\u00eancia em crescimento e que com alto potencial de impacto nas vendas no futuro pr\u00f3ximo. \u201cEsse momento requer um alto volume de investimentos em inova\u00e7\u00e3o e cada montadora est\u00e1 definindo sua estrat\u00e9gia, mas todas com um objetivo comum: aumentar a lucratividade\u201d, diz Fernando Trujillo, analista da consultoria IHS Automotive.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse percurso, a perspectiva \u00e9 de um crescimento nas alian\u00e7as entre as empresas do setor. \u201cV\u00e3o surgir novos modelos de manufatura e n\u00e3o descarto, inclusive, o compartilhamento de produ\u00e7\u00e3o\u201d, ressalta Correia, da Caoa. Coordenador do MBA em Gest\u00e3o Estrat\u00e9gica de Empresas da Cadeia Automobil\u00edstica da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV), o professor Antonio Jorge Martins acrescenta: \u201cHoje, os ciclos de inova\u00e7\u00e3o s\u00e3o de, no m\u00e1ximo, dois anos e meio. E h\u00e1 novos nomes na jogada, como Tesla, Google e Uber\u201d, afirma. \u201cPara sobreviver, as montadoras tradicionais precisam dividir os riscos, os investimentos e o desenvolvimento.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Descentraliza\u00e7\u00e3o: Pablo Di Si, CEO da Volkswagen para a Am\u00e9rica do Sul, vai levar parte dos modelos da montadora para a f\u00e1brica de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Pinhais (PR), uma das mais modernas do grupo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O exemplo mais contundente nessa dire\u00e7\u00e3o envolve a parceria entre a Volkswagen e a Ford. Inicialmente, o acordo ter\u00e1 como foco as picapes e vans. Mas h\u00e1 espa\u00e7o para que essa associa\u00e7\u00e3o evolua para segmentos como carros el\u00e9tricos, aut\u00f4nomos e servi\u00e7os de mobilidade. Para a Am\u00e9rica do Sul, a expectativa do mercado mescla fatores positivos e negativos. O primeiro deles \u00e9 a possibilidade de acelerar a chegada das inova\u00e7\u00f5es na regi\u00e3o. Por outro lado, h\u00e1 o risco de redu\u00e7\u00e3o das unidades de produ\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que as duas montadoras possuem um leque de f\u00e1bricas no Brasil e na Argentina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria Volkswagen tem trilhado o caminho da descentraliza\u00e7\u00e3o de sua produ\u00e7\u00e3o, com a montagem de novos modelos em f\u00e1bricas fora de sua maior unidade no Brasil, a da Anchieta, tamb\u00e9m em S\u00e3o Bernardo do Campo, a poucos quil\u00f4metros da f\u00e1brica da Ford. O mais recente lan\u00e7amento da marca, o T-Cross, est\u00e1 sendo montado na planta de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Pinhais, regi\u00e3o metropolitana da capital paranaense. A f\u00e1brica, que completou 20 anos, ainda \u00e9 considerada uma das mais modernas e produtivas do grupo em todo o mundo. \u201cPara uma empresa do porte da Volkswagen, que caminha para assumir a lideran\u00e7a em todos os segmentos em que atua no Pa\u00eds, \u00e9 preciso estar no ABC, estar no interior de S\u00e3o Paulo, estar no Paran\u00e1\u201d, disse o presidente e CEO para a Am\u00e9rica do Sul, o argentino Pablo Di Si. \u201cA unidade de S\u00e3o Jos\u00e9 dos Pinhais est\u00e1 estrategicamente localizada perto do Porto de Paranagu\u00e1, assim como a f\u00e1brica da Anchieta tem posi\u00e7\u00e3o privilegiada pelo Porto de Santos. Por isso, as particularidades de custo de produ\u00e7\u00e3o de cada unidade s\u00e3o ajustadas, negociadas e revistas o tempo todo, caso a caso\u201d, explica o executivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por enquanto, a estrat\u00e9gia da Volkswagen de distribuir sua produ\u00e7\u00e3o sem abrir m\u00e3o das f\u00e1bricas mais antigas parece estar dando certo. Segundo o presidente do Sindicato dos Metal\u00fargicos da Grande Curitiba, S\u00e9rgio Butka, a montadora tem se mostrado mais flex\u00edvel e simp\u00e1tica nas mesas de negocia\u00e7\u00f5es, assim como os sindicalistas est\u00e3o mais amig\u00e1veis em troca de novos investimentos. \u201cNos \u00faltimos dois anos, 40 mil vagas formais foram extintas na ind\u00fastria local, especialmente no setor metal\u00fargico. Os sindicatos, junto com as grandes empresas, est\u00e3o em busca de recuperar o emprego perdido\u201d, disse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na contram\u00e3o: a Mercedes-Benz, do CEO Philipp Schiemer, est\u00e1 modernizando a sua unidade de caminh\u00f5es em S\u00e3o Bernardo do Campo, como parte de um plano de investimentos de R$ 2,4 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Aporte de R$ 2,4 bi at\u00e9 2022 <\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse processo que pode envolver compartilhamento de f\u00e1bricas com marcas rivais, negocia\u00e7\u00f5es conjuntas de montadoras com sindicatos e at\u00e9 pedido de renova\u00e7\u00e3o de incentivos a governos, h\u00e1 quem escolha, em alguns casos, seguir sozinho. O que n\u00e3o significa a aus\u00eancia de obst\u00e1culos \u00e0 frente. Especialmente no mercado brasileiro. A Mercedes-Benz \u00e9 um exemplo. No fim de fevereiro, a empresa inaugurou uma nova etapa do projeto de moderniza\u00e7\u00e3o de suas f\u00e1bricas de caminh\u00f5es e \u00f4nibus no Brasil, como parte de um aporte de R$ 2,4 bilh\u00f5es para o ciclo de 2018 a 2022.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O alvo mais recente envolve a unidade de S\u00e3o Bernardo do Campo que, com um aporte de R$ 100 milh\u00f5es, come\u00e7ou a trabalhar com novos recursos para a produ\u00e7\u00e3o de cabines, sob o conceito de ind\u00fastria 4.0. \u201cTemos que fazer a nossa parte. Mas o Pa\u00eds tamb\u00e9m precisa ajudar\u201d, afirma Philipp Schiemer, presidente da montadora para o Brasil e a Am\u00e9rica Latina, para quem os empecilhos que encarecem a fabrica\u00e7\u00e3o local n\u00e3o est\u00e3o restritos ao ABC. Ele destaca que \u00e9 preciso criar condi\u00e7\u00f5es para que os produtos aqui sejam competitivos. \u201cEnquanto outros pa\u00edses est\u00e3o debatendo inova\u00e7\u00f5es, n\u00f3s ainda estamos presos a discuss\u00f5es em torno das reformas. Se o Brasil n\u00e3o fizer a li\u00e7\u00e3o de casa, vai perder espa\u00e7o no futuro.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar de refor\u00e7ar essa vis\u00e3o, Martins, da FGV, destaca que o Pa\u00eds seguir\u00e1 entre as prioridades das montadoras. \u201cDiferentemente de outros mercados, o Brasil ainda tem um alto potencial de crescimento. Enquanto nos EUA e na Europa a rela\u00e7\u00e3o \u00e9 de 1 carro por habitante, por aqui, essa m\u00e9dia ainda \u00e9 de 4,5\u201d afirma. O Rota 2030, nova pol\u00edtica tra\u00e7ada para o setor no fim do governo do ex-presidente Michel Temer e que oferece incentivos em troca de mais investimento em tecnologias e efici\u00eancia energ\u00e9tica, \u00e9 vista como essencial para a consolida\u00e7\u00e3o dos avan\u00e7os necess\u00e1rios para que esse potencial se concretize. \u201cHoje, o Brasil ainda \u00e9 apenas um seguidor de tecnologia\u201d, diz Neto, da Jato Dynamics. \u201cMas essas novas pol\u00edticas abrem a possibilidade para que o mercado local se insira, definitivamente, nesse novo mapa de produ\u00e7\u00e3o global.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Errata:<\/strong> O nome Caoa Chery foi grafado incorretamente na capa da edi\u00e7\u00e3o 1111 da DINHEIRO. (Isto \u00c9 Dinheiro\/Hugo Cilo, Moacir Drska)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Isto \u00c9 Dinheiro &nbsp; Um t\u00edpico munic\u00edpio do interior de S\u00e3o Paulo, Itirapina integra o chamado Circuito da Serra do Itaqueri, regi\u00e3o entrecortada por morros, vales, reservas florestais, rios, cachoeiras e atrativos como a Represa do Broa. Essa paisagem se tornou o destino de muitos amantes dos esportes radicais. 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