{"id":29382,"date":"2018-09-19T08:21:49","date_gmt":"2018-09-19T11:21:49","guid":{"rendered":"https:\/\/dana.com.br\/canaldana\/?p=29382"},"modified":"2018-09-19T08:21:49","modified_gmt":"2018-09-19T11:21:49","slug":"multis-brasileiras-inovam-mais-que-estrangeiras-e-industrias-nacionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dana.com.br\/canaldana\/2018\/09\/19\/multis-brasileiras-inovam-mais-que-estrangeiras-e-industrias-nacionais\/","title":{"rendered":"M\u00faltis brasileiras inovam mais que estrangeiras e ind\u00fastrias nacionais"},"content":{"rendered":"<p><em>O Estado de S. Paulo <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rodas flex\u00edveis que se deformam para evitar danos ao passar por buracos, motores para ve\u00edculos el\u00e9tricos, carrocerias de \u00f4nibus com placas de alum\u00ednio parafusadas, subst\u00e2ncia que reduz o impacto ambiental de tintas e resinas s\u00e3o alguns dos produtos inovadores, alguns deles globalmente, desenvolvidos por multinacionais brasileiras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Estudo feito pela Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI) mostra que, embora seja um grupo pequeno, de cerca de 60 empresas, as multinacionais brasileiras s\u00e3o mais inovadoras do que as companhias estrangeiras e os grandes grupos nacionais instalados no Pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O estudo tem como base a \u00faltima Pesquisa de Inova\u00e7\u00e3o (Pintec), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Foi coordenado pelo F\u00f3rum de Empresas Transnacionais da CNI, que detalhou os resultados dos segmentos aliment\u00edcio, t\u00eaxtil, couros e cal\u00e7ados, celulose e papel, qu\u00edmico, metalurgia, ve\u00edculos automotores e m\u00e1quinas, aparelhos e materiais el\u00e9tricos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Do grupo de multinacionais, 55, ou 92% delas, desenvolveram produtos ou processos produtivos inovadores nos tr\u00eas anos analisados, de 2012 a 2014 \u2013 a pesquisa \u00e9 feita a cada tri\u00eanio e a pr\u00f3xima ser\u00e1 divulgada no fim deste ano. Entre as 457 empresas estrangeiras, 371 foram classificadas como inovadoras (81% delas). No grupo de 1.239 ind\u00fastrias nacionais com mais de 500 funcion\u00e1rios o \u00edndice \u00e9 de 62%, ou 766 empresas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na defini\u00e7\u00e3o da Pintec, atividades inovadoras s\u00e3o caracterizadas pelo lan\u00e7amento de produtos in\u00e9ditos e aperfei\u00e7oamento significativo de processos produtivos. O grau maior de inova\u00e7\u00e3o por parte das m\u00faltis brasileiras \u00e9 explicado, em parte, pelo fato de terem filiais \u201cnum ecossistema diferente, enfrentando concorrentes locais, o que as obriga a serem competitivas naquele ambiente\u201d, diz Fabrizio Panzini, gerente de Negocia\u00e7\u00f5es Internacionais da CNI e respons\u00e1vel pelo estudo. Mesmo que o desenvolvimento seja feito pela filial, muitas vezes um grupo estrangeiro adquirido pela brasileira j\u00e1 com know-how, \u201cos ganhos dos conhecimentos adquiridos tamb\u00e9m s\u00e3o trazidos para o Brasil\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No caso das m\u00faltis estrangeiras, a maior parte das inova\u00e7\u00f5es vem das suas matrizes e, quando necess\u00e1rio, s\u00e3o adaptadas ao mercado brasileiro. J\u00e1 parcela significativa das grandes empresas nacionais n\u00e3o reserva investimentos significativos em pesquisa e desenvolvimento (P&amp;D).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Empresas querem diminuir tributa\u00e7\u00e3o de lucros no exterior<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A pesquisa do FET\/CNI ser\u00e1 apresentada a \u00f3rg\u00e3os governamentais como suporte \u00e0 reivindica\u00e7\u00e3o das m\u00faltis brasileiras contra a alta tributa\u00e7\u00e3o de lucros no exterior, o que reduz a competitividade dos seus produtos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As empresas locais que investem fora do Brasil recolhem 34% de Imposto de Renda (IR) sobre os lucros, descontando-se o porcentual pago no pa\u00eds onde est\u00e3o instaladas. Por exemplo, os EUA cobram de 21% de IR de Pessoas Jur\u00eddicas. Repatriando ou n\u00e3o os ganhos, a empresa tem de recolher mais 13% no Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A maioria dos setores, contudo, conseguiu um cr\u00e9dito presumido de 9%, o que reduz essa tarifa para 4%, mas o desconto n\u00e3o vale se a taxa do pa\u00eds for abaixo de 20%, casos do Reino Unido e outros 20 pa\u00edses.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O direito a esse cr\u00e9dito acabar\u00e1 em 2022 e as m\u00faltis brasileiras se mobilizam para que isso n\u00e3o ocorra. Apesar do prazo de quatro anos, a urg\u00eancia \u00e9 porque muitas delas aguardam essa decis\u00e3o para programar os investimentos que ser\u00e3o feitos a partir desse prazo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cA m\u00e9dia do tributo cobrado pelos pa\u00edses da OCDE \u00e9 de 23%, e a maioria dos pa\u00edses caminha para reduzir essas al\u00edquotas para menos de 20% enquanto no Brasil as empresas s\u00e3o penalizadas\u201d, diz o presidente do F\u00f3rum de Empresas Transnacionais (FET), Dan Ioschpe.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Produtos v\u00e3o de roda &#8220;flex\u00edvel&#8221; a motor para caminh\u00e3o el\u00e9trico<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Criada h\u00e1 cem anos por empreendedores do Rio Grande do Sul, o grupo Iochpe-Maxion \u2013 hoje com 31 f\u00e1bricas, sendo quatro no Brasil e as demais em 14 pa\u00edses \u2013, testa atualmente uma roda in\u00e9dita no mundo. Desenvolvida nos centros da empresa no Brasil e na Alemanha, em parceria com a Michelin, ela se deforma ao passar por buracos e obst\u00e1culos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cEla \u00e9 feita com alum\u00ednio e componentes flex\u00edveis de borracha que, durante um impacto, se deforma para absorver a energia e n\u00e3o se romper ou amassar\u201d, explica Marcos Oliveira, presidente da Iochpe-Maxion no Brasil. A \u201cnovidade mundial\u201d, diz ele, est\u00e1 sendo testada na Europa e na \u00c1sia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outro desenvolvimento j\u00e1 adaptado a um carro produzido no Brasil, o Renault Kwid, lan\u00e7ado h\u00e1 um ano, \u00e9 uma roda de a\u00e7o cuja apar\u00eancia simula o alum\u00ednio, que \u00e9 muito mais caro. O acabamento diferenciado tamb\u00e9m dispensa o uso de calotas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O primeiro caminh\u00e3o movido 100% a energia a ser fabricado no Brasil em escala comercial ter\u00e1 motor e inversores el\u00e9tricos desenvolvidos pela Weg. \u201cDecidimos desenvolver produtos exclusivos, sem nenhuma coopera\u00e7\u00e3o internacional, embora internacionalmente existam produtos similares\u201d, diz Manfred Peter Johann, diretor superintendente da WEG Automa\u00e7\u00e3o. O ve\u00edculo ser\u00e1 produzido em Resende (RJ) pela Volkswagen Caminh\u00f5es e \u00d4nibus a partir de 2020.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A empresa de bens de capital, fundada em 1961, tem 13 f\u00e1bricas no Brasil e 24 em pa\u00edses como EUA, China, Alemanha e \u00cdndia. Mais de 50% da receita l\u00edquido do grupo de R$ 9,5 bilh\u00f5es em 2017 veio das opera\u00e7\u00f5es internacionais. Segundo Johan, a maior parte dos produtos da marca s\u00e3o desenvolvidos no Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cTradicionalmente, uma empresa que inova gera mais exporta\u00e7\u00f5es e mais empregos de qualidade\u201d, afirma Dan Ioschpe, presidente do F\u00f3rum de Empresas Transnacionais (FET).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Marcopolo \u2013 outro grupo ga\u00facho com quase 70 anos e dono de cinco f\u00e1bricas no Brasil e 12 no exterior \u2013 vai investir este ano R$ 100 milh\u00f5es em inova\u00e7\u00e3o, valor equivalente a 25% da receita obtida no primeiro semestre. O mais recente desenvolvimento da empresa no Brasil s\u00e3o carrocerias de \u00f4nibus feitas em alum\u00ednio e fixadas com parafusos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo Andr\u00e9 Armaganijan, diretor de Estrat\u00e9gia e Neg\u00f3cios Internacionais, atualmente as carrocerias s\u00e3o feitas de a\u00e7o galvanizado e soldadas. A tecnologia foi herdada da filial australiana, incorporada ao grupo h\u00e1 dois anos. \u201cA vantagem \u00e9 que a carroceria \u00e9 mais leve, a montagem \u00e9 mais simples e o n\u00edvel de corros\u00e3o \u00e9 minimizado\u201d. O grupo j\u00e1 tem um \u00f4nibus produzido na f\u00e1brica brasileira que est\u00e1 sendo levado para diversos pa\u00edses para demonstra\u00e7\u00e3o. A ideia inicial \u00e9 exportar o produto, pois ainda \u00e9 muito caro para o mercado brasileiro, informa Armaganijan.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A ind\u00fastria qu\u00edmica Oxiteno j\u00e1 est\u00e1 testando com clientes uma solu\u00e7\u00e3o para esmaltes sint\u00e9ticos que, ao usar \u00e1gua em vez de solvente diminui significativamente o impacto desses produtos no meio ambiente. S\u00f3 a emiss\u00e3o de gases de efeito estufa, por exemplo, \u00e9 reduzida em 73%. Os esmaltes s\u00e3o usados na pintura de madeira e metal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Depois do Brasil, o produto, ser\u00e1 lan\u00e7ado nos EUA e no M\u00e9xico nos pr\u00f3ximo anos. A Oxiteno investe de 1% a 1,5% do faturamento anual em P&amp;D e tem 12 f\u00e1bricas no Brasil, EUA, M\u00e9xico, Uruguai e Venezuela. (O Estado de S. Paulo\/Cleide Silva)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Estado de S. 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