{"id":28882,"date":"2018-08-28T08:52:15","date_gmt":"2018-08-28T11:52:15","guid":{"rendered":"https:\/\/dana.com.br\/canaldana\/?p=28882"},"modified":"2018-08-28T08:52:15","modified_gmt":"2018-08-28T11:52:15","slug":"fabrica-da-renault-no-parana-20-anos-mas-a-marca-esteve-aqui-bem-antes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dana.com.br\/canaldana\/2018\/08\/28\/fabrica-da-renault-no-parana-20-anos-mas-a-marca-esteve-aqui-bem-antes\/","title":{"rendered":"F\u00e1brica da Renault no Paran\u00e1, 20 anos, mas a marca esteve aqui bem antes"},"content":{"rendered":"<p><em>Autoentusiastas <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Este fato pode levar o leitor a uma d\u00favida: se a f\u00e1brica da Renault no Brasil est\u00e1 comemorando 20 anos, como \u00e9 que os seus carros j\u00e1 eram produzidos aqui h\u00e1 60 anos? A resposta a essa intrigante pergunta \u00e9 muito simples de ser respondida: em meados dos anos 50, um acordo comercial entre a francesa Renault e a americana Willys-Overland do Brasil, de quem a Renault detinha 12% das a\u00e7\u00f5es, dava \u00e0 marca permiss\u00e3o de produzir sob licen\u00e7a os carros da Renault para atender \u00e0s necessidades do consumidor brasileiro de um carro pequeno, econ\u00f4mico e que, ao mesmo tempo, servisse \u00e0 fam\u00edlia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim que o Renault Dauphine foi lan\u00e7ado na Fran\u00e7a em 1956, para substituir o Renault 4CV, aqui no Brasil carinhosamente batizado de \u201cRabo Quente\u201d por causa do seu motor traseiro, os engenheiros franceses j\u00e1 trabalhavam com os t\u00e9cnicos americanos e brasileiros para iniciar a produ\u00e7\u00e3o do Dauphine.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar de ainda n\u00e3o possuir instala\u00e7\u00f5es industriais no Brasil, a Renault j\u00e1 iniciava a fabrica\u00e7\u00e3o do seu rec\u00e9m-lan\u00e7ado Dauphine na Europa em nosso pa\u00eds. \u00c9 bom ressaltar que apenas tr\u00eas anos ap\u00f3s o lan\u00e7amento no mercado franc\u00eas, o econ\u00f4mico Dauphine era apresentado e oferecido ao consumidor brasileiro no segundo semestre de 1959 j\u00e1 como modelo 1960. Um recorde para a \u00e9poca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Dauphine era um sed\u00e3 quatro-portas, destinado \u00e0s fam\u00edlias brasileiras e foi um dos primeiros carros produzidos por nossa ind\u00fastria. Equipado com um econ\u00f4mico motor de quatro cilindros em linha, 845 cm\u00b3, que desenvolvia 32 hp (pot\u00eancia SAE bruta, 26 cv pot\u00eancia l\u00edquida), al\u00e9m de um c\u00e2mbio de tr\u00eas marchas com a segunda e a terceira sincronizadas. O conjunto motor-c\u00e2mbio era posicionado na parte traseira do carro e suas suspens\u00f5es eram independentes nas quatro rodas, um avan\u00e7o para a \u00e9poca s\u00f3 precedido pelo VW Fusca, lan\u00e7ado no come\u00e7o de 1959.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O destaque deste pequeno e moderno Renault estava na versatilidade e na economia de combust\u00edvel, proporcionada por seu motor que, na sua concep\u00e7\u00e3o, era muito atual, tanto que inspirou projetos futuros que, aqui no mercado brasileiro, serviram a outra marca at\u00e9 os anos 90.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ainda em 1962, a Willys passou a produzir para o mercado brasileiro o Renault Gordini. Esse novo modelo, batizado na Europa de Dauphine Gordini, utilizava exatamente a mesma carroceria do Renault Dauphine, mas com refinamentos construtivos que davam mais pot\u00eancia ao seu motor de 845 cm\u00b3, com pot\u00eancia aumentada de 32 para 40 hp (32 cv pot\u00eancia l\u00edquida). Al\u00e9m disso, o c\u00e2mbio de tr\u00eas marchas do Dauphine deu lugar a um de quatro marchas no Gordini, mas mantendo a primeira sem sincroniza\u00e7\u00e3o. O novo Renault teve uma melhora substancial no desempenho sem que o consumo fosse sacrificado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A partir de ent\u00e3o o Renault Dauphine passou a ser comercializado como carro de entrada, mais barato e econ\u00f4mico, enquanto o Renault Gordini era vendido para aqueles que priorizavam o desempenho e n\u00e3o se preocupavam em pagar mais pela performance diferenciada. Haveria, inclusive, uma terceira vers\u00e3o, esportivada, do pequeno Renault: o 1093. O motor continuava de 845 cm\u00b3, mas era mais elaborado, com carburador de corpo duplo, comando de v\u00e1lvulas diferente, coletor de escapamento 4 em 1, taxa de compress\u00e3o elevada, 9,2:1 (requeria gasolina de maior octanagem, chamada de azul na \u00e9poca). Sua pot\u00eancia era de 53 hp\/42 cv e trazia conta-giros e quarta marcha mais curta, de 1,03:1 para 1,07:1. Foi produzido de 1964 a 1966 apenas e foi descontinuado junto com o Dauphine.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foram tr\u00eas familiares de muito sucesso no mercado brasileiro nos anos 60. Fabricado at\u00e9 1968, o Renault Gordini teve vers\u00f5es chamadas de Gordini II em 1966; Gordini III em 1967 e Gordini IV em 1968.Esse \u00faltimo Gordini teve o m\u00e9rito de ser o primeiro carro brasileiro equipado com freios dianteiros a disco como equipamento de s\u00e9rie. Mas em 1968 a Ford do Brasil assumiu de vez o controle da Willys-Overland, iniciado em 1967, e no final de 1968 o modelo teve sua produ\u00e7\u00e3o encerrada, juntamente com o final da Willys-Overland do Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outro Renault que marcou sua \u00e9poca nos anos 60 foi o Willys Interlagos, que na realidade tratava-se do franc\u00eas Alpine A108. Alpine era um pequeno construtor de carros esportivos ou de competi\u00e7\u00e3o que utilizava mec\u00e2nica de outros fabricantes. No caso do A108, a Alpine utilizava toda a mec\u00e2nica Renault. Aqui no Brasil, como no pa\u00eds de origem, o carro utilizava o pl\u00e1stico refor\u00e7ado com fibra de vidro como material da carroceria, primazia no Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apresentado ao mercado nacional no final de 1961, o Willys Interlagos e passou a ser oferecido em tr\u00eas vers\u00f5es: Berlinetta, um cup\u00ea de linhas mais esportivas; uma outra vers\u00e3o, esse sim chamada de Cup\u00ea, que n\u00e3o possu\u00eda inclina\u00e7\u00e3o do vidro traseiro; al\u00e9m de uma terceira vers\u00e3o, a Convers\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Cup\u00ea e o Convers\u00edvel tinham mesma motoriza\u00e7\u00e3o do Gordini, enquanto o Berlinetta sa\u00eda de f\u00e1brica com o mesmo conjunto motriz do sed\u00e3 1093, exceto a quarta mais curta. Mas como o motor tinha camisas \u00famidas remov\u00edveis, era f\u00e1cil elevar a cilindrada trocando o kit de cilindros, pist\u00f5es e an\u00e9is de 58 mm de di\u00e2metro por outro de 60 mm a cilindrada passava a 904 cm\u00b3; com o mesmo conjunto de 63 mm a cilindrada chegava a 998 cm\u00b3. Nesse motor maior a pot\u00eancia era de 70 hp\/57 cv, mas nos Berlinettas da equipe competi\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica dizia-se ser de 70 cv, mas pot\u00eancia l\u00edquida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas pistas, o Willys Interlagos era quase imbat\u00edvel, gra\u00e7as ao seu peso contido, de pouco mais de 500 kg, aerodin\u00e2mica apurada e baixo centro de gravidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas a Ford brasileira deu continuidade ao chamado Projeto M da Willys, que j\u00e1 estava praticamente pronto, fruto do trabalho da engenharia da francesa Renault com a Willys-Overland. O Projeto M era resultado de um intenso trabalho que visava o lan\u00e7amento do franc\u00eas R12, um carro de porte m\u00e9dio quando comparado ao Dauphine\/Gordini. Lan\u00e7ado no mercado brasileiro em 1968 como modelo 1969, a Ford apresentou o novo carro com o nome de Corcel, outro Renault produzido sob licen\u00e7a da marca francesa. O novo carro da Ford, um Renault em sua ess\u00eancia, e seu projeto, iniciou uma gama de produtos que a marca americana produziria por quase 20 anos no Brasil. E o seu conhecido, robusto e econ\u00f4mico motor, cuja cilindrada variou de 1,3 a 1,6 litro, chegou a ser utilizado at\u00e9 mesmo pela Volkswagen na \u00e9poca da Autolatina. Um reconhecimento ineg\u00e1vel da tecnologia, performance e economia desse motor de projeto Renault.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 muito interessante como a Hist\u00f3ria nos mostra os caminhos tortuosos trilhados pela ind\u00fastria automobil\u00edstica ao longo dos anos. S\u00f3 remexendo l\u00e1 atr\u00e1s \u00e9 que vamos nos lembrar que o vers\u00e1til motor que a Ford come\u00e7ou fazer aqui no Brasil no final dos anos 60 era, na realidade, um motor concebido pela Renault, que come\u00e7ou sua vida em 1962 com 956 cm\u00b3 no Renault R-8. Sua fama de resistente, econ\u00f4mico e de f\u00e1cil manuten\u00e7\u00e3o era na realidade um motor franc\u00eas e n\u00e3o americano como muitos pensam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse motor foi utilizado aqui no Brasil pelo Corcel I e II, Belina I e II, Pampa, Del Rey, Escort, XR3, Gol, Parati e Saveiro. Na \u00e9poca da Autolatina, o ent\u00e3o velho motor Renault (aqui no Brasil ele havia sido lan\u00e7ado no final dos anos 60\u2026), havia sido rebatizado de AE 1600, em que \u2018AE\u2019 significava alta economia. Economia de combust\u00edvel ainda era um destaque do motor apesar de sua idade. Fatos interessantes de nossa hist\u00f3ria que devemos contar para que ela n\u00e3o se perca nos caminhos do tempo. (Autoentusiastas\/Douglas Mendon\u00e7a)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Autoentusiastas &nbsp; Este fato pode levar o leitor a uma d\u00favida: se a f\u00e1brica da Renault no Brasil est\u00e1 comemorando 20 anos, como \u00e9 que os seus carros j\u00e1 eram produzidos aqui h\u00e1 60 anos? 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