{"id":24725,"date":"2018-04-20T08:37:10","date_gmt":"2018-04-20T11:37:10","guid":{"rendered":"http:\/\/dana.com.br\/canaldana\/?p=24725"},"modified":"2018-04-20T08:37:10","modified_gmt":"2018-04-20T11:37:10","slug":"tecnologias-sob-demanda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dana.com.br\/canaldana\/2018\/04\/20\/tecnologias-sob-demanda\/","title":{"rendered":"Tecnologias sob demanda"},"content":{"rendered":"<p><em>AutoInd\u00fastria <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os ciclos de investimentos, desenvolvimento, produ\u00e7\u00e3o e vida \u00fatil de seus produtos s\u00e3o longos na ind\u00fastria automobil\u00edstica. Da\u00ed a import\u00e2ncia de as empresas disporem de estruturas capazes de planejar e desenvolver solu\u00e7\u00f5es, produtos e tecnologias que estar\u00e3o em diferentes mercados anos ou at\u00e9 d\u00e9cadas depois.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os melhores exemplos do que isso representa s\u00e3o os desafios impostos pelas legisla\u00e7\u00f5es ambientais, o tr\u00e2nsito nos grandes centros urbanos, a mobilidade nesse ambiente e os novos padr\u00f5es de consumo de uma gera\u00e7\u00e3o que, em economias mais maduras, n\u00e3o tem o autom\u00f3vel, muito menos a posse dele, dentre suas prioridades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Carla Gohin, vice-presidente de Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o do Groupe PSA, e sua equipe t\u00eam a exata atribui\u00e7\u00e3o de encontrar respostas e sa\u00eddas para esses dilemas que ocupam boa parte das preocupa\u00e7\u00f5es dos executivos de montadoras, sistemistas e at\u00e9 mesmo de empresas de tecnologias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em recente visita ao Brasil, a executiva formada em engenharia mec\u00e2nica falou desse esfor\u00e7o conjunto e discorreu sobre ve\u00edculos aut\u00f4nomos, eletrifica\u00e7\u00e3o da frota mundial e o papel do etanol brasileiro no card\u00e1pio de solu\u00e7\u00f5es que o conglomerado franc\u00eas desenvolve simultaneamente em todas os seus centros de compet\u00eancias na Europa, \u00c1sia e Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Recentemente, um acidente com v\u00edtima fatal gerou na opini\u00e3o p\u00fablica d\u00favidas sobre a seguran\u00e7a dos carros aut\u00f4nomos. Esse epis\u00f3dio pode atrapalhar o desenvolvimento dessa tecnologia?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que o Groupe PSA tem uma diretriz muito clara acerca do desenvolvimento e da chegada dessas fun\u00e7\u00f5es aut\u00f4nomas nas ruas. E esse acidente com o ve\u00edculo da Uber, assim como outro que ocorreu quase na mesma semana com um carro da Tesla, aconteceu nos Estados Unidos, onde as empresas podem testar nas ruas essas tecnologias. Na Europa, a PSA foi a primeira empresa a ter essas autoriza\u00e7\u00f5es, mas hoje esses testes s\u00e3o feitos ainda com t\u00e9cnicos presentes. As legisla\u00e7\u00f5es europeia e americana s\u00e3o muito distintas e, creio, na Europa h\u00e1 um quadro mais bem definido. Por isso estamos muito interessados nas an\u00e1lises do que ocorreu nesses casos, quando o condutor deveria ter agido. De qualquer maneira, essas fun\u00e7\u00f5es chegar\u00e3o aos poucos no mercado. Nossas etapas s\u00e3o muito claras: hoje desenvolvemos ve\u00edculos de n\u00edvel 2, que t\u00eam fun\u00e7\u00f5es automatizadas e n\u00e3o aut\u00f4nomas, e no qual o motorista tem a responsabilidade da condu\u00e7\u00e3o, mas que o ajudam a, por exemplo, ficar na reta e andar na velocidade adequada para o tr\u00e2nsito e local. A pr\u00f3xima etapa s\u00e3o carros de n\u00edvel 3, que devem estar no mercado a partir de 2021 e que, em certa configura\u00e7\u00e3o e momento, o motorista n\u00e3o precisar\u00e1 supervisionar a condu\u00e7\u00e3o. Neste momento trabalhamos exatamente nos algoritmos para essa gera\u00e7\u00e3o. A seguran\u00e7a \u00e9 a prioridade n\u00famero um nesses projetos. \u00c9 por isso que todos os nossos testes de condu\u00e7\u00e3o totalmente aut\u00f4noma, que j\u00e1 completaram 150 mil quil\u00f4metros em vias p\u00fablicas em v\u00e1rios pa\u00edses da Europa, ainda contam com a presen\u00e7a do homem dentro dos carros.\u00a0 Esses trabalhos s\u00e3o uma oportunidade de verificar essas fun\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m as interfaces, afinal saber como utilizar esses recursos ser\u00e1 outro grande desafio. O condutor ter\u00e1 que compreender como operar tudo isso e ter confian\u00e7a nos sistemas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O carro aut\u00f4nomo, afinal, \u00e9 um projeto de muitas m\u00e3os. Qual ser\u00e1 o papel das montadoras nesse futuro?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa pergunta tem duas respostas. Uma \u00e9 se vamos nos ater \u00e0s fun\u00e7\u00f5es que implementaremos nos ve\u00edculos, que ser\u00e3o de ajuda, assist\u00eancia, automatiza\u00e7\u00e3o e, por fim, a autonomia que garantir\u00e1 \u00e0s pessoas ter outras atividades nos ve\u00edculos que n\u00e3o somente a condu\u00e7\u00e3o. Agora, se chegarmos ao n\u00edvel 5, que \u00e9 o ve\u00edculo sem condutor, o problema \u00e9 diferente: nesse caso as montadora estar\u00e3o inseridas no mundo de solu\u00e7\u00f5es de mobilidade, \u00e9 um modelo de neg\u00f3cio\u00a0 completamente diferente. De qualquer maneira, a PSA est\u00e1 trabalhando nessas duas rotas: desenvolvendo as fun\u00e7\u00f5es que chegar\u00e3o passo a passo nos ve\u00edculos e, tamb\u00e9m, ve\u00edculos totalmente aut\u00f4nomos, neste caso com um ecossistema de empresas do setor automotivo, de tecnologia e tamb\u00e9m com institutos de pesquisas para ciberseguran\u00e7a e intelig\u00eancia artificial. J\u00e1 temos uma experi\u00eancia com uma empresa de Singapura, que testa atualmente dois Peugeot 3008 totalmente aut\u00f4nomos. Outra parceria, neste caso com uma montadora de furg\u00f5es, objetiva ve\u00edculos aut\u00f4nomos para a movimenta\u00e7\u00e3o de cargas. Os testes come\u00e7ar\u00e3o dentro dos nossos centros de pesquisas na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quando teremos um ve\u00edculo da PSA de n\u00edvel 5 nas revendas europeias?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Acredito que ap\u00f3s 2025 ou at\u00e9 2030. Mas \u00e9 preciso lembrar que durante muitos anos conviveremos com os carros e modos de condu\u00e7\u00e3o atuais e, ao mesmo tempo, com ve\u00edculos aut\u00f4nomos nas ruas. Falamos de objetos, mas a chegada dessas tecnologias &#8211; e isso j\u00e1 \u00e9 alvo de muitas discuss\u00f5es &#8211; alterar\u00e3o a forma como compartilharemos os espa\u00e7os nas ruas e estradas. Precisamos pensar ainda na gest\u00e3o disso tudo, na forma\u00e7\u00e3o das pessoas que ter\u00e3o de reagir ao volante quando estiver ao lado de um carro aut\u00f4nomo no tr\u00e2nsito, nos servi\u00e7os de coordena\u00e7\u00e3o dessas frotas todas.\u00a0 Estamos falando, portanto, tamb\u00e9m de servi\u00e7os de mobilidade. \u00c9 entusiasmante pensar que os pr\u00f3ximos cinco anos trar\u00e3o mudan\u00e7as t\u00e3o importantes e em maior n\u00famero do que nos \u00faltimos cinquenta anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A posse do ve\u00edculo vai acabar?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pode ser que pessoas que morem nos centros de grandes cidades n\u00e3o queiram ter carros e se valham de servi\u00e7os compartilhados. Mas ningu\u00e9m hoje ainda tem uma resposta definitiva e acredito que n\u00e3o haver\u00e1 uma solu\u00e7\u00e3o para todo o mundo. Da\u00ed a ideia de trabalharmos em v\u00e1rias solu\u00e7\u00f5es de mobilidade. O compartilhamento pode funcionar em Paris, mas provavelmente n\u00e3o em Joanesburgo. Ter um carro \u00e9 ainda um anseio em v\u00e1rios pa\u00edses.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como a PSA equacionar\u00e1 a oferta dessas tecnologias em mercados t\u00e3o distintos sob v\u00e1rios aspectos, inclusive o financeiro?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A nossa prioridade \u00e9 por \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do grupo um portf\u00f3lio de tecnologias que permitir\u00e1 responder \u00e0s expectativas dos clientes em todas as regi\u00f5es. A aplica\u00e7\u00e3o delas ser\u00e1 de forma progressiva, portanto. E n\u00e3o me refiro ainda nem aos custos desses recursos, porque as primeiras etapas da condu\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma j\u00e1 exigem algumas dezenas de sensores. Em um ve\u00edculo de n\u00edvel 5, onde os n\u00fameros de sensores s\u00e3o duplicados, custariam hoje uns \u20ac 200 mil. Mas, claro, s\u00e3o prot\u00f3tipos. De qualquer maneira, nem todas as regi\u00f5es nem todos clientes demandar\u00e3o essas tecnologias, mesmo no futuro. Em outras, n\u00e3o ter essas solu\u00e7\u00f5es representar\u00e1 o fechamento do mercado. Assim, devemos constituir esse portfolio e adapt\u00e1-lo \u00e0s situa\u00e7\u00f5es e expectativas dos diferentes mercados. N\u00e3o conhe\u00e7o muito bem o mercado brasileiro, mas, pelo que vi em um dia na cidade de S\u00e3o Paulo, a chegada do carro aut\u00f4nomo ser\u00e1 um desafio muito maior aqui do que em Paris (risos).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>At\u00e9 porque o poder p\u00fablico ter\u00e1 de garantir uma infraestrutura vi\u00e1ria que permitir\u00e1 ao ve\u00edculo, por exemplo, identificar qual a velocidade permitida em uma via\u2026<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sem d\u00favida. Os primeiros n\u00edveis de autonomia s\u00e3o mais acess\u00edveis. Agora, quando consideramos ve\u00edculos totalmente aut\u00f4nomos, estamos falando da necessidade de comunica\u00e7\u00e3o entre os carros ou dos carros com a infraestrutura. Isso implica em investimentos importantes tamb\u00e9m dos estados para acompanhar essa transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Onde veremos esse cen\u00e1rio mais evolu\u00eddo primeiro?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Acredito que Estados Unidos, Europa e China ser\u00e3o as primeiras regi\u00f5es a propor essas solu\u00e7\u00f5es. As demais depender\u00e3o tamb\u00e9m de algumas oportunidades e sobretudo da capacidade da ind\u00fastria de reduzir os custos dessas tecnologias. Isso n\u00e3o acontecer\u00e1 de um dia para outro, claramente levar\u00e1 alguns anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O carro el\u00e9trico \u00e9 a outra grande vertente mundial da ind\u00fastria. No Brasil, por\u00e9m, temos o etanol com importante contribui\u00e7\u00e3o para a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es de poluentes. Qual o papel dos biocombust\u00edveis no futuro?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>J\u00e1 falei que trabalhamos em um grande portf\u00f3lio de tecnologias e, claro, temos a eletrifica\u00e7\u00e3o dentro do nosso planejamento. H\u00e1 um contexto ainda de incertezas de abastecimento futuro, baterias, mat\u00e9rias primas necess\u00e1rias. Hoje ningu\u00e9m sabe qual ser\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o dos el\u00e9tricos na frota mundial, mas queremos estar preparados para os diversos cen\u00e1rios. Quanto ao etanol, \u00e9 claro que se h\u00e1 um lugar no mundo que tem a rede de compet\u00eancia para desenvolver essa tecnologia\u00a0 esse lugar \u00e9 o Brasil. \u00c9 com esta vis\u00e3o que constitu\u00edmos em S\u00e3o Paulo, nos \u00faltimos quatro anos, um centro de pesquisas de biocombust\u00edveis com a Fapesp e a integra\u00e7\u00e3o de laborat\u00f3rios da USP, do ITA, da Mau\u00e1 e da Unicamp. A primeira fase j\u00e1 nos d\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de implementa\u00e7\u00e3o dessa tecnologia nas nossas diversas bases de motores a gasolina e tamb\u00e9m de atender as redu\u00e7\u00f5es de emiss\u00f5es previstas pelo Rota 2030 nos pr\u00f3ximos anos. Em uma segunda etapa, formaremos um centro de excel\u00eancia de biocombust\u00edveis aqui, com capacidade estrat\u00e9gica para o Groupe PSA. N\u00e3o temos nenhuma outra equipe na Fran\u00e7a ou na China que trabalha com biocombust\u00edveis, a nossa equipe est\u00e1 aqui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 a possibilidade de desenvolver o etanol para outros mercados da PSA?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se essa solu\u00e7\u00e3o responde \u00e0s necessidades brasileiras e \u00e9 tamb\u00e9m interessante para o restante do mundo claro que podemos pensar nisso. S\u00e3o essas respostas que estamos buscando. Mas tamb\u00e9m trabalhamos com o hidrog\u00eanio e n\u00e3o quero dizer com isso que ele ser\u00e1 a solu\u00e7\u00e3o para todos os mercados &#8211; uma c\u00e9lula de combust\u00edvel, com autonomia de 500 quil\u00f4metros, tem ainda custo da ordem de 10 mil euros. J\u00e1 estamos pensando, assim, em uma arquitetura h\u00edbrida el\u00e9trica e hidrog\u00eanio, em um contexto muito avan\u00e7ado. A minha responsabilidade, portanto, \u00e9 preparar as tecnologias que far\u00e3o, cada qual, mais sentido nesta ou naquela regi\u00e3o e que, obviamente, atenderam tamb\u00e9m aos objetivos econ\u00f4micos da nossa empresa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O motor a combust\u00e3o tem lugar no autom\u00f3vel do futuro?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A eletrifica\u00e7\u00e3o pode atender a muitos clientes, mas n\u00e3o a todos. Servir\u00e1 para alguns mercados africanos, por exemplo? Creio que n\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00c9 flagrante que o brasileiro \u00e9 um \u00e1vido consumidor de novas tecnologias quando aqui elas chegam. De que forma a PSA pretende explorar esse aspecto do nosso?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Novamente, o importante \u00e9 atendermos as expectativas de cada mercado. Aqui a resposta mais pr\u00f3xima para isso est\u00e1 em solu\u00e7\u00f5es de mobilidade e servi\u00e7os conectados e compartilhados e n\u00e3o em um carro aut\u00f4nomo. \u00c9 por isso que lan\u00e7amos a Free2move, uma marca dedicada \u00e0 mobilidade, a servi\u00e7os como compartilhamento de carros. E essa estrat\u00e9gia para o Brasil e Am\u00e9rica Latina est\u00e1 sendo constru\u00edda. O que \u00e9 importante \u00e9 ficarmos mais pr\u00f3ximos da realidade e dos anseios dos nossos clientes. O consumidor \u00e9 o ponto central. Tecnologias n\u00e3o faltam. (AutoInd\u00fastria\/George Guimar\u00e3es)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AutoInd\u00fastria &nbsp; Os ciclos de investimentos, desenvolvimento, produ\u00e7\u00e3o e vida \u00fatil de seus produtos s\u00e3o longos na ind\u00fastria automobil\u00edstica. 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