{"id":22571,"date":"2018-01-19T08:35:50","date_gmt":"2018-01-19T10:35:50","guid":{"rendered":"http:\/\/dana.com.br\/canaldana\/?p=22571"},"modified":"2018-01-19T08:35:50","modified_gmt":"2018-01-19T10:35:50","slug":"culpa-e-so-do-imposto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/dana.com.br\/canaldana\/2018\/01\/19\/culpa-e-so-do-imposto\/","title":{"rendered":"A culpa \u00e9 s\u00f3 do imposto?"},"content":{"rendered":"<p><em>UOL Economia<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que os carros seriam mesmo mais baratos no Brasil se os impostos diminu\u00edssem? Ana Theresa Borsari, diretora-geral da Peugeot no pa\u00eds &#8211; a \u00fanica mulher a dirigir uma montadora aqui e a primeira da Peugeot no mundo todo -, diz que sim, em entrevista na s\u00e9rie UOL L\u00edderes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ela fala sobre a dificuldade que o brasileiro tem para comprar um carro, mudan\u00e7as na ind\u00fastria por causa da onda de compartilhamento, preconceito contra carros, mulheres no comando, subs\u00eddios ao setor e prefer\u00eancias do consumidor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Por que carro \u00e9 t\u00e3o caro?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>UOL &#8211; Carro no Brasil \u00e9 caro. Ser\u00e1 que os pre\u00e7os cairiam de verdade se os impostos fossem reduzidos, como as montadoras sempre argumentam?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ana Theresa Borsari\u00a0&#8211;<\/strong> A carga tribut\u00e1ria no Brasil \u00e9 totalmente desproporcional e diferente do que existe nos outros lugares do mundo. Isso \u00e9 objetivo, n\u00e3o sou eu que estou dizendo. E isso faz com que o modelo de neg\u00f3cio para as montadoras no Brasil fique muito dif\u00edcil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o precisa dizer que os pre\u00e7os dos carros s\u00e3o decorr\u00eancia dessa carga tribut\u00e1ria desproporcional. O que aconteceria numa ruptura completa de tributa\u00e7\u00e3o? \u00c9 l\u00f3gico que os pre\u00e7os cairiam, porque o nosso setor \u00e9 um setor de volume. Os custos de concep\u00e7\u00e3o s\u00e3o elevados, e, para amortizar esses custos, dependemos de volume.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c0 medida que haja cargas tribut\u00e1rias menores, o interesse das montadoras \u00e9 amortizar esses custos de concep\u00e7\u00e3o no maior volume poss\u00edvel. E dessa maneira equalizar\u00edamos os pre\u00e7os para atender \u00e0 maior demanda poss\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Por que pre\u00e7o voc\u00ea gostaria de vender um carro de entrada da Peugeot?<\/strong><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o sei a quest\u00e3o de pre\u00e7o, porque at\u00e9 o pre\u00e7o \u00e9 relativo ao poder aquisitivo da popula\u00e7\u00e3o. Vou dar um exemplo: uma pessoa que trabalhe na mesma fun\u00e7\u00e3o na Europa e vem aqui no Brasil comprar um carro precisa de um esfor\u00e7o financeiro seis vezes maior. Eu s\u00f3 queria que ele tivesse aqui o mesmo esfor\u00e7o que tem na Europa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se isso \u00e9 por meio da baixa de pre\u00e7o ou do aumento do poder aquisitivo tanto faz, acho que o mais importante \u00e9 isso. O que j\u00e1 vem acontecendo de certa forma, porque a baixa da taxa de juros e a infla\u00e7\u00e3o sob controle fazem com que as pessoas voltem a fazer seus financiamentos e ter acesso a bens de valor agregado maior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas o que a gente quer n\u00e3o s\u00e3o popula\u00e7\u00f5es endividadas, s\u00e3o pessoas que tenham acesso a bens de consumo de maior valor sem necessariamente fazer um esfor\u00e7o financeiro t\u00e3o elevado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Subs\u00eddios dados \u00e0 ind\u00fastria automobil\u00edstica foram muito criticados. Foram subs\u00eddios demais?<\/strong><\/p>\n<p>Que o setor \u00e9 estrat\u00e9gico para a economia \u00e9 indiscut\u00edvel, ele carrega outras ind\u00fastrias, como autope\u00e7as. S\u00e3o centenas de milhares de empregos que est\u00e3o por tr\u00e1s. De uma certa forma, o poder p\u00fablico precisa regular de maneira que esse setor subsista de maneira forte, porque ele abarca grande parte da economia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os subs\u00eddios foram importantes, e a industrializa\u00e7\u00e3o local traz tecnologias mais modernas para o setor. Acredito que tudo que traga benef\u00edcios para o consumidor \u00e9 bom a m\u00e9dio e longo prazos. Temos de ver o longo prazo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Tem havido muitos recalls na \u00e1rea automobil\u00edstica. Na sua avalia\u00e7\u00e3o, \u00e9 preocupante?<\/strong><\/p>\n<p>Eu sinceramente n\u00e3o sinto um aumento. Fiquei fora do Brasil entre 2009 e final de 2015, e pode ser que tenha acontecido algum problema nesse per\u00edodo. Mas desde quando cheguei, em rela\u00e7\u00e3o ao que era antes de 2009, n\u00e3o senti um aumento expressivo ou que me chamasse a aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Acho, sim, que existe uma regulamenta\u00e7\u00e3o vinda do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor (CDC), ao qual sou superfavor\u00e1vel. Eu trabalhava no Procon quando estavam promulgando o CDC, fui a Bras\u00edlia fazer lobby e ajudei de uma certa forma a construir o c\u00f3digo. Acho que aqui existe uma organiza\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o ao consumidor que funciona muito bem, n\u00e3o vejo muita diferen\u00e7a at\u00e9 do que acontece na Europa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>As fraudes ambientais envolvendo algumas montadoras deixaram as empresas do setor como um todo com uma imagem negativa?<\/strong><\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o. Aqui no Brasil acredito que os consumidores ainda n\u00e3o t\u00eam um olhar atento a isso. Mesmo na Europa, onde se fala muito em prote\u00e7\u00e3o ambiental e redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es, est\u00e1 muito mais voltado \u00e0s pol\u00edticas estatais do que \u00e0 pr\u00f3pria demanda do consumidor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que acaba regulando o mercado \u00e9 o quanto de imposto \u00e9 cobrado numa determinada situa\u00e7\u00e3o de polui\u00e7\u00e3o. Isso \u00e9 ben\u00e9fico para a sociedade, e eu n\u00e3o sou contra, pelo contr\u00e1rio. No caso da PSA grupo que re\u00fane as marcas Peugeot e Citro\u00ebn, fizemos o teste com organismos independentes e ganhamos o pr\u00eamio Eco Best.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Acho que o poder p\u00fablico est\u00e1 certo, vai ter que regular mesmo e ir para a dire\u00e7\u00e3o certa, para a gente proteger o nosso planeta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ind\u00fastria n\u00e3o sobreviver\u00e1 sendo s\u00f3 montadora<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>UOL &#8211; A cultura de compartilhamento, em que muitos deixam de possuir individualmente um bem, \u00e9 uma amea\u00e7a para a ind\u00fastria de carros?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ana Theresa Borsari &#8211;<\/strong> No caso da nossa empresa, foi visto como uma grande oportunidade. Nosso presidente mundial comprou v\u00e1rias start-ups de sharing [compartilhamento] pelo mundo. A maneira que enxergamos o futuro \u00e9 que uma empresa do setor n\u00e3o tem como sobreviver sendo exclusivamente uma montadora de autom\u00f3veis. Ela tem de ser um provedor de servi\u00e7o de mobilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Prover servi\u00e7o de mobilidade ser\u00e1 o grande modelo de neg\u00f3cio futuro. E \u00e9 l\u00f3gico que, quando ofere\u00e7o servi\u00e7o de mobilidade, eu tenho uma vantagem competitiva se eu ainda fabrico o produto que vem por tr\u00e1s. Acredito nessas duas pernas de neg\u00f3cio, que v\u00e3o jogar diferentes pap\u00e9is no futuro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Vai ser mais importante o neg\u00f3cio de provimento de carros do que o de fabrica\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, quando voc\u00ea olha de maneira prospectiva para 30, 40 anos, sem d\u00favida alguma, porque a gente percebe quais coisas mudam de valor, v\u00e3o perdendo valor. A utiliza\u00e7\u00e3o compartilhada est\u00e1 ganhando. Sendo a refer\u00eancia na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7o de mobilidade, voc\u00ea d\u00e1 um passo \u00e0 frente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Na Europa e nos EUA, h\u00e1 v\u00e1rios carros h\u00edbridos ou totalmente el\u00e9tricos, o que n\u00e3o acontece aqui. Vamos ficar atrasados nisso?<\/strong><\/p>\n<p>Depende de como a pol\u00edtica p\u00fablica vai evoluir. No caso da Peugeot, nossas novas plataformas at\u00e9 2023 v\u00e3o ser todas multicombust\u00edvel. Ou seja, a ideia \u00e9 oferecer uma paleta ampla de tipos de combust\u00edvel para que cada f\u00e1brica possa regular o seu mix segundo a demanda da pol\u00edtica p\u00fablica do seu pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No caso da Europa, nas cinco principais cidades europeias, at\u00e9 2020, n\u00e3o se entra mais com carros t\u00e9rmicos motores a combust\u00e3o nos centros. As montadoras est\u00e3o compelidas a ir nessa dire\u00e7\u00e3o. O que \u00e9 bom.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voc\u00eas t\u00eam uma previs\u00e3o de at\u00e9 quando v\u00e3o existir carros com motor de combust\u00edvel f\u00f3ssil?<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Depende do que vai acontecer nas diferentes regi\u00f5es do mundo, porque cada uma delas est\u00e1 indo por um caminho distinto. Por isso que \u00e9 dif\u00edcil para uma montadora com presen\u00e7a mundial dizer que 100% dos carros ser\u00e3o el\u00e9tricos. H\u00e1 diferentes pol\u00edticas p\u00fablicas nas diversas regi\u00f5es do mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Notadamente a China e toda essa regi\u00e3o asi\u00e1tica, onde os mercados s\u00e3o gigantescos, mas as pol\u00edticas p\u00fablicas n\u00e3o v\u00e3o necessariamente para essa mesma dire\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil dizer qual vai ser a velocidade com a qual a gente vai conseguir engajar todas as regi\u00f5es em torno desse mesmo prop\u00f3sito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Preconceito do brasileiro contra marcas<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>UOL &#8211; O mercado brasileiro tem preconceitos contra algumas marcas de carros?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ana Theresa Borsari\u00a0&#8211;<\/strong> Todo mercado acaba formando suas pr\u00f3prias ideias sobre diferentes marcas. N\u00e3o vejo nada no Brasil de particular em rela\u00e7\u00e3o a outras partes do mundo, s\u00f3 mudam as marcas e o tipo de vis\u00e3o. O que acontece no Brasil \u00e9 que o brasileiro ama autom\u00f3vel, e o autom\u00f3vel para o brasileiro tem uma dimens\u00e3o muito maior do que em outros pa\u00edses europeus, at\u00e9 porque o esfor\u00e7o financeiro para a aquisi\u00e7\u00e3o de um autom\u00f3vel no Brasil \u00e9 muito maior do que l\u00e1 fora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, \u00e9 muito mais relevante esse n\u00edvel de investimento para a cabe\u00e7a do brasileiro, e ele tem no autom\u00f3vel ainda um s\u00edmbolo de status, de realiza\u00e7\u00e3o pessoal. Ele quer demonstrar pelo ve\u00edculo qual status ocupa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Carros franceses s\u00e3o vistos de maneira diferente no Brasil em rela\u00e7\u00e3o a Argentina e Uruguai, por exemplo, onde s\u00e3o mais presentes?<\/strong><\/p>\n<p>Acho que a imagem tem a ver com a hist\u00f3ria. A Peugeot est\u00e1 presente na Argentina h\u00e1 70 anos, ent\u00e3o possui uma hist\u00f3ria quase centen\u00e1ria l\u00e1, e tem uma hist\u00f3ria bastante recente no Brasil [primeira f\u00e1brica aqui \u00e9 de 2000]. Ent\u00e3o \u00e9 claro que a imagem tem a ver com a hist\u00f3ria e o per\u00edodo vivido naquele pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea concorda com a imagem, comum no mercado brasileiro, de que os carros franceses, Peugeot e Citro\u00ebn s\u00e3o preferidos pelas mulheres?<\/strong><\/p>\n<p>Talvez no passado, especificamente no caso do C3 ou talvez do 206, ainda poderia. Mas hoje em dia, acho que n\u00e3o. Isso j\u00e1 acabou, e n\u00e3o tem muito a ver com a nacionalidade da marca, acho que tem mais a ver com o perfil do produto e das pessoas que gostam e acabam se apaixonando por eles.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que acontecem nos nossos carros \u00e9 que s\u00e3o mais equipados, e as mulheres gostam de n\u00edveis de equipamentos mais elevados. Talvez venha da\u00ed esse perfil de gosto feminino.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Os homens n\u00e3o ligam para esses detalhes?<\/strong><\/p>\n<p>Vem acabando essa coisa de o que o homem gosta ou a mulher gosta. \u00c9 mais o perfil mesmo da pessoa que est\u00e1 comprando. Hoje em dia na nossa sociedade n\u00e3o existe mais essa diferen\u00e7a. Antigamente se falava de fazer uma s\u00e9rie especial feminina, mas essa coisa j\u00e1 est\u00e1 ultrapassada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Por que os homens n\u00e3o gostariam de comodidades?<\/strong><\/p>\n<p>Acho que era mais preconceito do homem de dizer que gostava desse tipo de coisa, porque no fim das contas todo mundo gosta de conforto, todo mundo gosta de acesso \u00e0 tecnologia. Acho que a oferta e essa onda de carros mais modernos, produtos mais modernos, que chegou ao Brasil, \u00e9 muito positiva.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pouco a pouco o homem vai passando a ter menos vergonha de dizer que gosta de ter acesso ao conforto, isso tamb\u00e9m vai evoluindo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Que caracter\u00edsticas tem o consumidor brasileiro?<\/strong><\/p>\n<p>A principal tem a ver com o nosso jeito de ser, somos emocionais. O perfil de compra de qualquer produto no Brasil \u00e9 mais emocional. O brasileiro tem tamb\u00e9m que se apaixonar de certa forma pelo produto. Por mais que a gente ache que, nos momentos de crise a compra se torne mais racional, o que vale \u00e9 ele se apaixonar ou n\u00e3o por aquele produto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que mais faz o brasileiro se apaixonar por um carro?<\/strong><\/p>\n<p>Pesquisas de perfil de compra de carro n\u00e3o mudam muito h\u00e1 25 anos. O brasileiro se apaixona pelo design. Se o carro for feio, ele pode at\u00e9 comprar, mas depois se arrepende, mesmo sendo o melhor carro do mundo. Ent\u00e3o, o carro tem que ser bonito. Design \u00e9 a primeira raz\u00e3o de compra principalmente do autom\u00f3vel entre homens, mulheres, jovens, mais velhos, de qualquer classe social, de qualquer perfil de compra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E agora, mais recentemente, sem d\u00favida alguma \u00e9 o n\u00edvel de equipamentos, que \u00e9 uma coisa relativamente recente. Antigamente era vidro e trava el\u00e9tricos. Hoje em dia a oferta de equipamentos de tecnologia faz com que isso seja levado em conta na raz\u00e3o de compra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ser\u00e1 que o consumidor brasileiro est\u00e1 se sofisticando?\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Sem d\u00favida alguma. N\u00e3o sei se \u00e9 falta de sofistica\u00e7\u00e3o, eu acho que a oferta tamb\u00e9m era pobre. Existia o conceito &#8211; n\u00e3o s\u00f3 de carros, mas de forma geral &#8211; de que os produtos vinham para c\u00e1 mais simples, e mesmo assim vendiam. Isso acabou totalmente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O brasileiro hoje est\u00e1 100% conectado, superdigital, mais do que em qualquer outro lugar do mundo. Estando conectado, quer ter acesso ao que existe de mais moderno e tecnol\u00f3gico para qualquer setor e em qualquer produto. Isso l\u00f3gico que \u00e9 favor\u00e1vel para a Peugeot.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mas o brasileiro \u00e9 conservador em cor de carro, por exemplo. A Peugeot ousa mais.<\/strong><\/p>\n<p>Um pouco mais, mas bem menos do que na Europa. A gente \u00e9 superconservador aqui no Brasil, e acho que ficou ainda mais conservador de uns tempos para c\u00e1. Acho que antes de eu sair n\u00e3o era tanto, est\u00e1 ainda pior.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Voc\u00ea v\u00ea o cen\u00e1rio automotivo, voc\u00ea sai na rua e v\u00ea que \u00e9 tudo cinza, prata, preto, branco. H\u00e1 principalmente um conservadorismo nos interiores dos carros. Na Europa, trabalha-se muito o interior, com detalhes coloridos. Aqui n\u00e3o se pode muito ousar no interior. A gente trabalha bastante carros esportivos com interiores mais claros na Europa. Aqui \u00e9 muito raro voc\u00ea ver isso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Esse conservadorismo n\u00e3o \u00e9 contradit\u00f3rio com o gosto por design? Seria medo de desvaloriza\u00e7\u00e3o ao revender?<\/strong><\/p>\n<p>Acho que tem esse mito da revenda, de ser dif\u00edcil revender um carro muito ex\u00f3tico. Mas n\u00e3o s\u00f3, acho que \u00e9 gosto mesmo. \u00c0s vezes a gente faz teste, e a pessoa entra e j\u00e1 acha muito claro. Ela n\u00e3o fala que n\u00e3o gostou porque n\u00e3o vai conseguir revender. Ela fala que n\u00e3o gostou do claro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ser\u00e1 que um carro com muitas comodidades n\u00e3o \u00e9 visto como mais &#8220;fraco&#8221;?<\/strong><\/p>\n<p>Acho que a robustez n\u00e3o tem mais a ver com o luxo e com o n\u00edvel de equipamento, e a grande ruptura foi no pr\u00f3prio segmento das picapes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Porque esse segmento \u00e9 \u00edcone do ve\u00edculo robusto e talvez hoje seja um dos mais luxuosos do mercado, com todo n\u00edvel de equipamento, de luxo e de conforto poss\u00edvel para os ocupantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mulher deve expor ambi\u00e7\u00e3o no trabalho<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>UOL &#8211; \u00c9 dif\u00edcil ver uma mulher dirigente na ind\u00fastria automobil\u00edstica. Quais as vantagens e as dores?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ana Theresa Borsari &#8211;<\/strong> Costumo dizer que as mulheres n\u00e3o \u00e9 que t\u00eam mais obst\u00e1culos, elas se colocam no mundo profissional de uma maneira diferente do que os homens. As mulheres exercem excelentes trabalhos operacionais, muito performantes, mas exp\u00f5em menos a sua ambi\u00e7\u00e3o profissional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No meu caso, foi uma hist\u00f3ria similar. Entrei na Peugeot h\u00e1 quase 25 anos e pude dirigir praticamente todas as \u00e1reas da empresa antes de ter um percurso internacional, mas jamais me impunha e expunha a minha ambi\u00e7\u00e3o de maneira not\u00f3ria, como fazem os homens. As mulheres s\u00e3o mais t\u00edmidas nisso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por isso \u00e9 que agora, tendo feito isso e tendo tido sucesso na minha carreira, eu incentivo muito as mulheres a exporem de maneira mais efetiva sua ambi\u00e7\u00e3o profissional. Nunca uma mulher havia sido presidente da opera\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds na Peugeot, por exemplo. Nunca na hist\u00f3ria da marca no mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E eu j\u00e1 era diretora de v\u00e1rias \u00e1reas aqui havia dez anos. Fui conversar com o diretor mundial na \u00e9poca e disse: &#8220;Faz dez anos que dirijo todas as \u00e1reas da empresa, estou pronta e quero assumir a presid\u00eancia de um pa\u00eds&#8221;. Na hora, ele tomou um certo choque, n\u00e3o era natural para ele vindo de uma mulher.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foi s\u00f3 fazendo isso que tive a oportunidade de ser a primeira mulher no mundo na Peugeot a assumir a presid\u00eancia da opera\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds na Eslov\u00eania. Ent\u00e3o, n\u00e3o existe outra maneira de chegar l\u00e1 que n\u00e3o seja, sim, executando bom resultado, mas expondo sua ambi\u00e7\u00e3o de um modo mais objetivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Na pr\u00e1tica, o que voc\u00ea mudou no processo de produ\u00e7\u00e3o por causa do olhar feminino?<\/strong><\/p>\n<p>Ter um &#8220;olhar feminino&#8221;, naquilo que a gente acha que \u00e9 mais feminino na defini\u00e7\u00e3o piegas, \u00e9 a vis\u00e3o masculina do olhar feminino. O verdadeiro olhar feminino \u00e9 aquele que, primeiro, pensa em cada detalhe. A mulher sabe olhar numa sala e olhar cada detalhe, ver o que n\u00e3o funciona.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, a gente modificou bastante a organiza\u00e7\u00e3o das concession\u00e1rias, tanto no show room quanto na recep\u00e7\u00e3o de oficina, digitalizando e tornando mais vis\u00edvel, um ambiente mais clean e agrad\u00e1vel de se ficar. E isso n\u00e3o \u00e9 necessariamente o olhar feminino, mas \u00e9 a forma de se encarar mesmo a coisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa preocupa\u00e7\u00e3o com os m\u00ednimos detalhes \u00e9 o que realmente permeia a minha gest\u00e3o. Costumo dizer aqui que, se eu tivesse que definir a gest\u00e3o, seria uma perna na coer\u00eancia e outra num n\u00edvel de rigor e de exig\u00eancia no mais alto, naquilo que voc\u00ea teria expectativa de entregar. A coer\u00eancia que faz a verdadeira gest\u00e3o, ser coerente com aquilo que voc\u00ea quer construir, seja com a rede de concession\u00e1rias e com os clientes finais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que fazer no come\u00e7o de uma carreira de executivo?<\/strong><\/p>\n<p>Digo para os jovens aprendizes ou estagi\u00e1rios: sempre se comportem como se estivessem ocupando o cargo acima do de voc\u00eas. Se quero ser contratado, n\u00e3o vou me vestir como um estagi\u00e1rio, quero me vestir como um jovem contratado, quero me compor, trabalhar, produzir, entregar como jovem contratado, sempre visando o cargo futuro que eu quero ter.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Porque se eu for agir como estagi\u00e1rio e quiser ser contratado, sempre vou gerar d\u00favida na pessoa que vai me contratar. Como ele seria num cargo futuro? Se no posto atual voc\u00ea j\u00e1 demonstrar maturidade, produtividade, efici\u00eancia, isso fica mais f\u00e1cil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Muitas vezes sinto, principalmente nos jovens come\u00e7ando a carreira, aquela no\u00e7\u00e3o de que faz o dele, e uma hora algu\u00e9m vai contrat\u00e1-lo. Mas por qu\u00ea? Se eu fa\u00e7o s\u00f3 o meu? Se eu mostrar que tenho condi\u00e7\u00e3o de fazer mais, muito provavelmente quando a oportunidade aparecer \u00e9 para mim que v\u00e3o olhar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foi dessa forma que eu sempre agi. Se eu n\u00e3o tivesse agido assim, sendo mulher, brasileira, no meu setor, eu jamais teria tido essa carreira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sempre demonstrava que estava madura emocionalmente, com compet\u00eancia e t\u00e9cnica, pronta para ocupar o cargo seguinte. (UOL Economia)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>UOL Economia &nbsp; Ser\u00e1 que os carros seriam mesmo mais baratos no Brasil se os impostos diminu\u00edssem? 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