Pão da Esperança

Pão da Esperança

Esperança que cresce em conjunto

Projeto Pão da Esperança, da AMENCAR: sonho que se sonha junto é realidade. Imagem: Marcos Massa

No alto de uma colina do bairro Santo André, em São Leopoldo, no estado do Rio Grande do Sul, está localizada uma grande casa, onde funciona a AMENCAR, Associação de Apoio à Criança e ao Adolescente. Ali, todos os dias, mais de 500 crianças passam seu dia, em meio a um espaço enorme, confortável, com cara de casa de mãe: tem quintal, horta, campo de futebol, amor e carinho de sobra.

O projeto “Pão da Esperança”, que atende moradoras do bairro Feitoria, é apoiado pela Dana através da Rede Parceria Social desde o início de 2009. São atendidos 120 mulheres e jovens, de diferentes faixas etárias, moradores do bairro Feitoria. As aulas de culinária iniciaram em janeiro de 2009 e são divididas em três turmas, para um melhor aproveitamento. O projeto surgiu para atender as mães que sentiam necessidade de auxiliar na renda familiar, mas não possuíam capacitação. Uma turma tem aulas dentro da AMENCAR, outra no bairro São Geraldo, e uma terceira, no bairro Feitoria, pois notou-se que havia uma dificuldade para que elas se locomovessem até um determinado bairro por falta de recursos financeiros.

“O que temos visto é um empoderamento, um aumento de autoestima, porque enquanto o pão cresce, elas conversam e essa convivência enriquece a vida delas tanto quanto as aulas de culinária”, explica Rodrigo Castilho, coordenador da AMENCAR.

Novas perspectivas

Nanci: fôlego incansável. Imagem: Marcos Massa
Nanci: fôlego incansável.
Imagem: Marcos Massa

Nanci Gomes Paz, de 60 anos, viu no curso uma oportunidade de incrementar a renda familiar e, ao mesmo tempo, aprender uma nova variedade de receitas para produzir em casa e para comercializar. Ela participa do “Pão da Esperança” desde o início de 2009 e é casada com José Cláudio há 30 anos. Com ele, teve os filhos Jorge, de 30 anos, Diego, 28, Paulo Roberto, 27 e Maria Helena, de 23 anos. Já é avó de Ana Carolina, que está com três meses, filha de Paulo Roberto, que ela ajuda a cuidar. Trabalhou durante muito tempo como doméstica e também cuidando de seus filhos em casa.

“Sinto uma enorme diferença em mim mesma depois que comecei o curso. Saio mais de casa, tenho novas amigas, aprendi pratos diferentes e ainda tenho a oportunidade de passar os conhecimentos para minha filha, Maria Helena, que quer trabalhar com gastronomia”. O marido ainda trabalha como pedreiro, e ela já começou a vender os quitutes que aprendeu no curso. “Mas o maior ganho não é financeiro, é de autoestima e alegria por estar aqui, convivendo com pessoas novas e maravilhosas”, explica.

Patrick: convivendo com as diferenças. Imagem: Marcos Massa
Patrick: convivendo com as diferenças.
Imagem: Marcos Massa

Um bom exemplo do engajamento dos jovens é Gabriel Luis da Costa Wild, de 16 anos, que participa do projeto há quatro meses. Sua aula favorita é a de Segurança Alimentar e Culinária, já que sempre gostou de estar na cozinha. Ele mora com a mãe, Lisandra, o pai, Jorge, e as três irmãs Rose, 11 anos, Evaneuza, oito, e Célia, três. Seus pais trabalham como garis para sustentar a família. Ele já conhecia alguns dos colegas da escola onde cursa a 5ª série do Ensino Fundamental. Gabriel quer trabalhar como policial, porque acha nobre o trabalho que eles fazem pela cidade. “Vir ao projeto é ótimo, pois me faz sair de casa, da rua, e aprender coisas novas e conhecer outras pessoas e realidades. É um crescimento contínuo”, explica.

Patrick Roberto Rabelo Schultz, de 14 anos, está frequentando as aulas há quatro meses e já sente a diferença. Ele adora internet e passa horas fazendo pesquisas para seus trabalhos de escola e também sobre música – ele adora reggae e pagode. “O mais legal do projeto é aprender a conviver com os colegas e suas diferenças, levando numa boa e fazendo amigos”. Ele cursa a 5ª série do Ensino Fundamental e mora com o pai Gérson, que trabalha como pedreiro. Seu grande sonho é trabalhar com Engenharia Automotiva – desde criança, é fascinado por mecânica e sabe que é isso o que quer fazer da vida. Por enquanto, ele está focado em terminar os estudos, aprimorar seus conhecimentos na AMENCAR e perseguir essa vontade.

Luana persegue suas ambições. Imagem: Marcos Massa
Luana persegue suas ambições.
Imagem: Marcos Massa

Luana da Silva Prestes, de 19 anos, participa das aulas junto da mãe, Cleusa Maria da Silva Prestes. A jovem irmã de Luana, Luiza, de cinco anos, assiste as duas nas aulas e é considerada “mascote” da turma. Luana mora na Feitoria com os pais. O que mudou na sua vida depois do início do projeto? “Tudo!”, resume, com seu sorriso tímido. Ela começou as aulas em 2008 e aprendeu muito fazendo feiras para vender o que produz com as colegas. “Eu ficava muito tempo em casa, hoje perdi um pouco da timidez e sou infinitamente mais animada porque adoro aprender coisas novas, especialmente em culinária”, diz.

A jovem cursa a 1ª série do Ensino Fundamental e sua maior alegria é o curso de culinária e as aulas de informática – pretende trabalhar com algo nesta área. Mas o maior sonho de Luana é trabalhar como médica. Desde os sete anos de idade, não pensa em outra coisa. Já trabalhou com várias coisas, entregando panfletos na rua, por exemplo, e alimenta o sonho de ser médica porque sua maior alegria é ajudar as pessoas, mudar suas vidas.

A mudança na vida de Luana é confirmada por sua mãe, Cleusa. Ela também participa do curso e, com sua alegria contagiante, confirma que ela e a filha deixam os problemas do lado de fora da sala de aula, onde se transformam em aprendizes. Mãe de Luana, 19, Jorge, 16 e Luiza, cinco, é casada com Jorge, que está aposentado devido a um acidente de trabalho.

Cleusa: alegria que contagia. Imagem: Marcos Massa
Cleusa: alegria que contagia.
Imagem: Marcos Massa

Cleusa trabalhou durante muito tempo em fábricas, mas ultimamente vinha se dedicando a ser dona de casa para cuidar dos filhos e do marido. “Esse espaço de convivência é vital, porque decidi cuidar mais de mim, que tive uma vida dedicada aos outros”, explica. Ela sempre adorou cozinhar e, com as receitas que está aprendendo no curso, participa de feiras vendendo seus produtos e também vende para as amigas e vizinhas de seu bairro. “Aprendi aqui muitas receitas novas e acabo ajudando na renda de casa, além de cozinhar para a família também, o que acaba se tornando muito mais barato com o aprendizado nutricional que ganhamos no curso”.

Sobre a Rede Parceria Social

A Carteira de Projetos da Rede Parceria Social é uma iniciativa conjunta da Secretaria da Justiça e do Desenvolvimento Social, organizações sociais e empresas, com objetivo de realizar projetos sociais em todo o Rio Grande do Sul, abrangendo diversas áreas da assistência social e beneficiando centenas de pessoas.

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