Nutrir e Aprender

Nutrir e Aprender

Projeto atende crianças e adolescentes da Zona Sul

A alegria das meninas atendidas pelo projeto. Imagem: Manuela Colla

Em 1944, a congregação das Irmãs Franciscanas Bernardinas fundou a Associação Brasileira Cultural e Beneficente (ABCB) para atuar junto às comunidades de baixa renda nas áreas da saúde, educação e assistência social. Três projetos da ABCB são mantidos em Porto Alegre e um deles recebe apoio da Dana através da Rede Parceria Social.

O projeto chama-se “Nutrir e Aprender – Educando para a Cidadania”, e sua sede fica na longínqua Estrada Retiro da Ponta Grossa, Zona Sul de Porto Alegre. Ali, desde 1996, ABCB mantém o Projeto Social São Francisco de Assis, que foi criado a partir de muitas solicitações da comunidade para atender crianças e adolescentes.

Marília de Souza Corrêa, assistente social da ABCB, conta que a região abrangida pelo projeto é muito maior do que o bairro onde está a sede da iniciativa. “Esta é uma região muito grande, com déficit de saneamento básico e com pouca infraestrutura, sem praças e parques públicos, casas muito simples, população de classe média baixa e muitas famílias em situação de vulnerabilidade social”. A Assistente Social relata, ainda, que no bairro existe apenas uma Escola Municipal de Ensino Fundamental e uma Creche Municipal para que as crianças frequentem no período em que os pais estão trabalhando.

O projeto da ABCB tem por objetivo receber esta grande quantidade de crianças e jovens que, algumas vezes, moram em bairros da região e não têm onde ficar no turno inverso ao da escola. Ao todo, o projeto atende quase 200 crianças e adolescentes diariamente, oriundos dos bairros Ponta Grossa, Serraria, Chapéu do Sol e Belém Novo – todos da Zona Sul de Porto Alegre.

Neli Fernandes comemora a iniciativa
Neli Fernandes comemora a iniciativa

Marília explica que, ali, as crianças e jovens de três a 14 anos recebem café da manhã, almoço e lanche e também participam de oficinas de música, esportes e informática. Jovens e adultos da comunidade do bairro Ponta Grossa também frequentam as oficinas de inclusão digital. Agora, o foco está também no novo projeto a ser desenvolvido, o “Nutrir e Aprender – Educando para a Cidadania”.

O objetivo principal da iniciativa é oferecer para as manipuladoras de alimentos – que atendem na cozinha as crianças, adolescentes e integrantes da comunidade do projeto social São Francisco de Assis – a possibilidade de conhecer temas relacionados à Segurança Alimentar, Cozinha Alternativa e Conceitos Éticos e de Sustentabilidade. Mas, também, promover aulas sobre esses assuntos para as crianças e jovens e também para seus familiares, para que os conceitos possam ser disseminados na comunidade. “Nossa ideia é também promover atividades que envolvam e estimulem a adoção de hábitos alimentares mais saudáveis por toda a comunidade, tornando-os mais acessíveis para todos”, esclarece.

No grande espaço onde fica a sede do projeto, as duas manipuladoras de alimentos, Solange Ritzel e Neli Guiomar Fernandes comemoram a iniciativa. Elas trabalham em uma cozinha que foi construída em 2009 com as doações do Imposto de Renda, via Funcriança. O espaço atende às necessidades do local, mas ainda é pouco funcional. Com o apoio da Dana para o projeto “Nutrir e Aprender”, foi adquirido um fogão industrial, um refrigerador industrial de seis portas e também um carrinho para transporte de alimentos até o refeitório. “Servimos uma média de 200 refeições por dia, e ficou complicado atender a demanda com um fogão pequeno. O carrinho agilizará a entrega dos pratos do almoço e também dos alimentos do café da manhã e lanche para as crianças e jovens. Com certeza melhorará muito nosso espaço”, avaliou Neli, que trabalha na instituição há dez anos.

Marília Corrêa e Carmen Reis, do Instituto Vida Solidária. Imagem: Manuela Colla
Marília Corrêa e Carmen Reis, do Instituto Vida Solidária.
Imagem: Manuela Colla

Com uma cozinha mais funcional, as manipuladoras de alimentos terão melhores condições no preparo dos lanches e refeições que são oferecidos aos usuários. “Quando a Dana nos possibilitou a compra destes equipamentos industriais necessários, que são exigidos pelas normas existentes, passamos a ter a possibilidade de agilizar o preparo dos alimentos e melhorar a qualidade da alimentação oferecida aos atendidos, o que nos motiva a querer melhorar as instalações que já possuímos”, disse Marília.

As inscrições para as aulas com uma nutricionista, que iniciam em fevereiro, estão abertas e a procura está grande: várias mães da comunidade já se mobilizaram e estão convidando também as amigas e vizinhas.

A assistente social conta que serão ensinados diversos conceitos, que vão desde a simples higiene das mãos e dos alimentos até sustentabilidade, reaproveitamento de alimentos e características nutricionais dos alimentos. Ainda estão previstas aulas sobre cuidado com os dentes, conceitos básicos de higiene, desenvolvimento de conceitos éticos e sustentabilidade, elaboração de fichas técnicas e também preparação de receitas com alimentação alternativa. “Queremos também incentivar os alunos a pesquisarem receitas para que eles mesmos se interessem pelo tema e tragam suas ideias para que sejam executadas nas aulas práticas. O interessante é que eles também aprenderão conceitos de reaproveitamento de alimentos e higiene e nutrição – estes últimos, muito importantes, já que a comunidade carece de recursos de saneamento básico e uma boa alimentação ajuda a prevenir doenças”, explica.

O projeto está em sua primeira fase e foi recém-implantado através da Rede Parceria Social. O “Nutrir e Aprender – Educando para a Cidadania” será desenvolvido ao longo de 2011 e, ao final, será tema de mais uma matéria.

Todos os projetos patrocinados pela Dana na fase 2010/2011 envolvem Segurança Alimentar, como também na fase anterior, e acontecem em diversas cidades do RS: Porto Alegre, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Gravataí, Caxias do Sul e Montenegro. “Apesar do tema da Segurança Alimentar ter sido mantido, é importante ressaltar que agora apoiamos projetos novos, diferentes do ano passado. Estamos alinhados com os objetivos da Rede Parceria Social, que objetiva que, após um ano, as ONGs tenham conhecimento para andar com as próprias pernas”, diz Luis Pedro Ferreira, Gerente de Comunicação Corporativa da Dana.

 

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