MPB4

MPB4

Uma aula sobre o Brasil musical de outros tempos

MPB4. Imagem: Marcos Massa

O que dizer de um grupo vocal que é o mais duradouro da música popular brasileira, com 40 anos de discos e shows? Que lançou músicas e fez parcerias com gênios como Chico Buarque, Tom Jobim e Vinícius de Moraes? Que na Ditadura Militar foi o grupo musical mais combativo e perseguido do país? E que depois da abertura política continuou se renovando e mantendo inteligência e seriedade, sem se submeter às exigências da indústria fonográfica? Enfim, o que dizer de um grupo cujo nome é sinônimo de música de qualidade?

Pois foi assim, sem palavras, que ficou a platéia lotada no concerto histórico e antológico da Orquestra da Ulbra com o grupo vocal MPB4 – Magrão, Dalmo (o novo integrante, que substituiu Ruy) Aquiles e Miltinho foram os nomes da noite.

Tal êxtase foi evidente ao final oficial do show, quando o público exigiu nada menos que três retornos ao palco (triplo bis). Afinal, não é todo o dia que se pode ouvir, com orquestra a tiracolo, lendas vivas da música brasileira cantando, ao vivo, clássicos como “Amigo é pra essas coisas”, de Aldir Blanc, ”Falando de amor”, de Tom Jobim e canções eternizadas com Chico Buarque – que foi considerado certa época o “MPB quinto”, pois cedeu ao grupo mais de 30 canções. As que marcaram o show foram ”Olê Olá” e “Roda Viva” – defendida com o autor no histórico Festival da Canção do “ano de chumbo” de 1964. E “Hoje o samba saiu”, que pôs a platéia gaúcha para sambar: clássicos que ficaram ainda mais clássicos com os arranjos atuais e belos da Orquestra de Câmara da Ulbra, sob a batuta de Tiago Flores.

Os cantores também comemoram. Em pleno palco, Magro disse estar honrado porque seu ídolo, o escritor Luis Fernando Verissimo, estava na platéia. Outro momento mágico: o grupo cantando, de improviso, “Conceição”, homenagem ao “professor” Cauby Peixoto, tio de Dalmo, mais novo integrante do grupo. No final, Miltinho afirmou que o público foi muito além da expectativa do grupo. Alguém duvida?