Gaúcho da Fronteira e Ernesto Fagundes

Gaúcho da Fronteira e Ernesto Fagundes

Noite de muitas raízes

Gaúcho da Fronteira, Ernesto Fagundes e Maestro Tiago Flores. Imagem: Fernanda Chemale

Foi uma noite de belas canções e de clássicos do regionalismo gaúcho. Simplesmente porque a apresentação uniu a Orquestra de Câmara da Ulbra a dois ícones da tradicional música regional dos pampas: Gaúcho da Fronteira, 19 discos lançados, e Ernesto Fagundes, quatro CDs no mercado, que tem como marca registrada um instrumento dos mais típicos – o bumbo legüero.

E como se não bastasse, ambos renderam ainda justa homenagem à lenda da cultura tradicionalista gaúcha – Texeirinha (1927 – 1985), autor do clássico “Querência Amada”, espécie de hino rio-grandense.

O show começou com “Sertaneja”, composição de Ivan Lins que Ernesto já havia gravado em seu primeiro disco. A música tem um clima de nostalgia, de saudades da terra amada. A segunda canção, “Tropeiro Velho”, abriu as homenagens ao compositor Teixeirinha, que faleceu em Porto Alegre há 20 anos. Com treze discos de ouro recebidos ao longo da carreira, Teixeirinha produziu 1.200 composições, gravou 65 LPs e vendeu 18 milhões de discos.

Outro homenageado da noite foi Lupcínio Rodrigues, com Ernesto interpretando seu xote “Cevando o amargo”. A música, com arranjo vigoroso, foi encerrada aos gritos de “Bravo!”, vindos da platéia. Ernesto emocionou-se e contou que a próxima canção, “Última lembrança”, de Luis Menezes, é um dos mais belos poemas românticos que ele já ouviu.

O clima festivo tomou conta do espetáculo com “Louco por chamamé”, com novo arranjo do músico da Orquestra da Ulbra, Rodrigo Bustamante. E neste ritmo de alegria, foi chamado ao palco o Gaúcho da Fronteira para executar um de seus maiores sucessos, a descontraída “Pisca Pisca”.

Em seguida, a interpretação de “Coração de luto”, composição em que Teixeirinha conta do episódio da morte da sua mãe. Gaúcho da Fronteira prestou sua segunda homenagem da noite para o cantor argentino Horacio Guarany, com “Se se calla el cantor”, com direito à introdução com solo de violino.

Depois destes dois momentos mais introspectivos, foi a vez do Gaúcho tocar “Herdeiro da Pampa Pobre”, que fez muito sucesso com a regravação dos Engenheiros do Hawaii.

Acompanhado por palmas do público, Gaúcho anunciou a sua música mais conhecida, “Nhecovari nhecofun”, que cantou acompanhado por Ernesto Fagundes. Em seguida, os dois artistas relembram “Guri”, campeã da Califórnia da Canção que ficou muito popular na interpretação de César Passarinho.

Para fechar a noite, outro grande sucesso de Teixeirinha, “Querência Amada”, acompanhada em coro pelo público que prestigiava o show.

Na hora do bis, uma grande surpresa: “Canto Alegretense”, composição mais conhecida de Bagre Fagundes, pai de Ernesto, entoada por muitos dos que estavam assistindo ao espetáculo.

Após o concerto, visivelmente emocionado, Fagundes confessou que nunca pensou em tocar com uma orquestra. E Gaúcho da Fronteira, tipo de pessoa que enche uma sala, tal o riso largo, sentiu o peso da responsabilidade, diante de um público tão caloroso e especial.