Quase Famosos

Quase Famosos

Uma banda. Um jornalista. A década mais importante para o rock and roll.

Penny Lane, William Miller e Russel Hammond: triângulo amoroso. Imagem: Reprodução

”Quase Famosos”, uma espécie de cinebiografia do diretor Cameron Crowe, parece simples, mas não é. O filme conta a história de William Miller, um garoto de 15 anos, é contratado pela revista de música Rolling Stone para escrever sobre a tour da banda Stillwater, e acaba sendo jogado em um mundo de loucuras, com sexo, drogas e rock.

Sim, é um filme sobre a vida de Cameron Crowe, sobre jornalismo, sobre amizade. Vou um pouco mais longe ao arriscar e dizer que, na minha visão, ”Quase Famosos” é um filme sobre um sonho e dois amores.

Mas voltando ao enredo. A menina por quem William se apaixona é Penny Lane. Uma groupie da Stillwater, a banda sobre a qual ele precisa escrever pra Rolling Stone. E groupies são importantes no rock já que são fãs de música e bandas que procuram, em diferentes níveis, contato com pessoas famosas.

Dee Dee Ramone amava Connie mais do que tudo no mundo. Sable Starr, Lori Madoxx, Bebe Buell. Iggy Pop, Johnny Thunders, Steven Tyler. Sid e Nancy. A melhor definição fica com Sable, que inspirou a criação do personagem Penny Lane: ”Eu fui pela primeira vez ao Whiskey com quatorze anos. Sempre fui louca pra me meter em problemas. Eu fiquei tão intrigada com as garotas que estavam lá – mas não pude fazer nada, meus pais ainda me obrigavam a ir à escola”.Groupies sempre foram essenciais pra história do rock and roll.

Kate Hudson brilha no papel da groupie Penny Imagem: Reprodução
Kate Hudson brilha no papel da groupie Penny
Imagem: Reprodução

Somadas às groupies, mais algumas figurinhas carimbadas do rock and roll: o guitarrista e o vocalista disputando a liderança, as brigas entre os integrantes da banda, as viagens de ácido, o deslumbramento com a capa da Rolling Stone e com a companhia de Bob Dylan em um bar.

De outro lado, a mãe superprotetora, a irmã que tinha discos legais, a repulsa dos colegas de aula, a pilha de discos e a máquina de escrever e o quarto de William. A conexão entre tudo isso? Não, não era o vocalista da Stillwater. Era Lester Bangs, o maior escritor de rock de todos os tempos. Um cara legal que bota Iggy Pop pra tocar de manhã cedo numa rádio. Que acha bom o fato de William esteja totalmente confuso na estrada. Que é quem diz que Will não é cool – naquela que, na minha opinião, foi a melhor seqüência do filme.

E a trilha sonora? Ela entra naquela categoria de “você tem alguma coisa desses caras em casa, e eles fazem parte da sua vida também”. Simon & Garfunkel, Beach Boys, Lynyrd Skynyrd, Allman Brothers, Cat Stevens, Led Zeppelin, Neil Young.

Mas tudo o que eu queria dizer é que “Quase Famosos” é simplesmente um filme sobre uma banda. Pensando bem, é sobre uma banda e um menino. Um sonho e dois amores: uma banda, um menino e uma menina. E é o que basta.

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