Fun Home

Fun Home

Uma tragicomédia em família

Capa do livro autobiográfico. Imagem: Reprodução

A cartunista americana Alison Bechdel nasceu em Lock Haven, no estado da Pennsylvania. Ela foi criada por pais católicos e intelectuais, que também eram os donos de uma agência funerária. Esse é o pano de fundo de ”Fun Home – Uma tragicomédia em família”, que Alison publicou em 2006. Trata-se de livro de histórias em quadrinhos autobiográfico e tragicômico, trazendo suas lembranças de infância e também dos anos que antecederam a morte do seu pai, figura central na sua formação.

”Fun Home” (o título também é um jogo de palavra com ‘funeral home’, casa funerária em inglês) redesenha a relação de Alison, lésbica, com o pai, Bruce, um homossexual enrustido, que vive numa cidade do interior. Bruce sublima seu desejo (e afetação) na decoração quase museológica da mórbida casa e exige que seus filhos mantenham a casa impecavelmente limpa e bem-cuidada. Segundo Alison, seu pai que, cometeu suicídio por conta de seus conflitos internos.

Com forte teor literário, Alison conduz a história com maestria, fazendo referências a inúmeros clássicos da literatura universal. Sua relação com o pai a faz lembrar do mito de Ícaro e Dédalo, a sua mãe, atriz amadora, ora é um personagem de Henry James, ora de Oscar Wilde. A proximidade de Alison com as letras vem do berço: Bruce era professor de literatura em Beech Creek, a pequena cidade onde a autora cresceu.

”Fun home” é dramático, triste, mas também tem seus momentos de leveza – e genialidade (não é à toa que ganhou o ‘Oscar dos Quadrinhos’, o Eisner Awards, em 2007). Alison lida com o despertar de sua homossexualidade, com as descobertas sobre seu pai, tudo baseado em diários que ela mantém desde pequena.

Visão de Alison sobre a casa onde morava. Imagem: Reprodução
Visão de Alison sobre a casa onde morava.
Imagem: Reprodução

Com o traço limpo e detalhado, complementado por toques aquarelados (sempre num tom de verde), “Fun Home” é uma obra-prima dos quadrinhos – um livro inteligente e revelador, ultrapassando gêneros e utilizando todo o potencial que a sua própria linguagem oferece.

”Fun Home” foi citado como um dos melhores livros de 2006 por várias publicações, incluindo o jornal The New York Times, The Times of London, Publishers Weekly, salon.com, New York magazine, e a revista Entertainment Weekly.

 

 

 

ARTIGOS SEMELHANTES