Ceumar

Ceumar

A nova voz da MPB, que já teve discos produzidos por Arnaldo Antunes e Zeca Baleiro.

Suave e brejeira. Imagem: Divulgação

Desde que saiu da cidadezinha de Itanhandu, no interior Minas Gerais, há mais de 15 anos, a cantora Ceumar trabalha para conseguir o seu espaço. Com o sonho de ter sua música tocada numa novela, ela já fez backing-vocal, trabalhou jingles e participou de peças de teatro. Ela já lançou dois discos muito elogiados, ”Dindinha” e ”Sempre Viva” (este último produzido por Zeca Baleiro). Nesta entrevista, Ceumar falou das dificuldades da sua carreira, idéias alternativas para o seu trabalho e também influências de seu trabalho.

Como foi sua formação musical? Quais pessoas influenciaram na sua carreira?
Minha formação musical foi lá em Itanhandu, as minhas irmãs já tocavam piano e eu aprendi junto com elas. Depois, passei a ter uma professora particular. A música sempre esteve presente em casa, meu pai tocava violão desde jovem e minha mãe sempre cantarolou. Escutava muito rádio nessa época, por tabela – minha mãe escutava muito rádio, e meu pai cantava muita música antiga. Depois minhas irmãs foram viajar e me apresentaram 14 Bis, Clube da Esquina, Joyce, entre outros.

Você mora em São Paulo. Para os artistas que estão fazendo um trabalho ”alternativo” qual é o melhor lugar para se morar?
Eu nunca morei no Rio de Janeiro, mas sei das dificuldades. Lá tem outro tipo de clima que propicia um som mais aberto, de música da periferia, funk carioca ou mesmo uma bossa nova e samba e isso pode dificultar um pouco o trabalho ”alternativo”. Curitiba e Porto Alegre já têm uns grupos fazendo trabalhos alternativos, e na Bahia também. Mas parece que São Paulo está mais aberta pra receber esse estilo de música. O que vejo é que em cada cidade do país existem os resistentes.

De alguma forma, falta ajuda dos grandes nomes da MPB, tendo estes muito espaço na grande mídia?
Eu acho lindo quando eu vejo o Milton Nascimento, por exemplo, convidando três cantoras para fazer seu último CD e participar do show com ele. A Bethânia também faz um trabalho parecido, cantando música de novos compositores. Para ter esse tipo de atitude é preciso ter uma certa liberdade que nem todos têm. Alguns estão com muitos compromissos, se fecham em um contexto da gravadora e não se sentem tão a vontade para ajudar quem está começando. O Caetano Veloso falou para o Zeca Baleiro que gostou da música Dindinha, imagina se ele grava essa música mesmo não sendo minha, seria maravilhoso para minha carreira. Mas eu não fico pensando nisso, sei que esse apoio ajudaria muito, mas vou fazendo meu trabalho.

Atualmente, qual é o seu sonho como cantora?
Meu grande sonho é ter uma música minha tocando na novela, acho que a novela pode até ser ruim, mas algumas têm ótimas trilhas sonoras, coisa difícil de acontecer hoje. Isso não iria me modificar em nada, não vou me corromper em nada, eu quero sim que minha música fique cada vez mais popular.

Capa do segundo disco, "Sempre viva". Imagem: Divulgação
Capa do segundo disco, “Sempre viva”.
Imagem: Divulgação

Como é sua relação com a mídia, como você divulga o seu trabalho? 
É tranqüilo, às vezes eu vou atrás de algumas coisas que eu quero, no meu último trabalho, por exemplo, mandei meus CDs para algumas revistas que me interessava. A maioria das vezes as coisas vão acontecendo sem eu saber, alguém me fala que viu naquela revista alguém falando e assim vai acontecendo…

Qual é sua relação com as gravadoras?
Eu não tenho relação nenhuma (risos…). Na época do Dindinha, eu fiz até a parte da mixagem. Faltava um pouquinho quando levei para a Atração (gravadora que lançou o CD). Eles pegaram o disco praticamente pronto, e acabou funcionando quase como um selo para a distribuição do meu trabalho. Com o Sempre Viva, aconteceu a mesma coisa, eu tive um patrocínio de uma empresa que em vez de dar agendas para seus clientes no final do ano, deu como brinde meu CD. Peguei esse patrocínio e fiz o Sempre Viva, entreguei prontinho para a Elo que, na verdade, é um selo, e existe diferença entre selo e gravadora. A gravadora é aquela que tem estúdio e te paga para você ficar gravando, você pode ficar horas lá e não paga nada até receber, é uma beleza, mas elas também têm seus interesses. Eu não sei o que é trabalhar com uma gravadora eu considero meus CDs todos independentes.

Participando de tudo no “Sempre Viva”, produção, arranjo e até composição, ele saiu do jeito que você queria?
Tem coisas que eu senti que poderia ter feito diferente. O que posso fazer é mudar algum arranjo em um próximo trabalho, ou mesmo em um CD ao vivo. Na medida do que eu pude, saiu do jeito que eu queria. Se eu pudesse mudar alguma coisa, mudaria até no Dindinha. (risos)

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