“PLANT INSIDE PLANT”: Dana compartilha espaço de suas fábricas com parceiros nos EUA

A fabricação dos chassis para as futuras picapes Ford F-150 e Chevrolet Silverado, em três unidades da Dana nos EUA, marcam também uma nova forma de relacionamento entre parceiros. Em vez de cuidar da aplicação do revestimento de proteção sobre os chassis, como tradicionalmente faz, a fabricante de autopeças abriu as portas de suas fábricas para a MetoKote Corp., de Lima, Ohio, que será responsável por este processo.

A estreita parceria com uma fornecedor de confiança para realizar esta parte do processo permitirá à Dana economizar entre US$ 24 milhões e US$ 30 milhões no equipamento. Os custos com empacotamento e transporte entre fábricas da Dana e de MetoKote também serão eliminados. “A chave é ser competitivo”, diz o Vice-Presidente de Comunicação Corporativa da Dana nos EUA, Gary Corrigan. “Há economia no custo de capital e no processo total”, completa.

Os tais arranjos de “fabrica dentro da fabrica” estão ganhando aceitação na América do Norte. As parcerias de longo prazo são comuns na América do Sul e os fornecedores compartilham parte dos custos de investimento na fabricação de veículos com baixos volumes de produção. Mas poucos exemplos são encontrados nos Estados Unidos e os que operam dessa forma são fornecedores em vez montadoras.

“Ainda é uma idéia nova”, diz Neil De Koker, diretor da Associação dos Fornecedores de Equipamentos Originais em Troy, Michigan. “Há poucas parcerias como esta acontecendo”, diz.

A Lear Corp., de Southfield, Michigan, chegou perto disso há uma década, quando investiu no equipamento de montagem de assentos em uma antiga planta da General Motors. Os funcionários da GM trabalhavam na linha, mas a Lear comandava, diz Sean McAlinden, diretor no Centro para a Pesquisas Automotivas no Instituto de Pesquisa Ambiental de Michigan, em Ann Arbor.

“Outras companhias contrataram empresas externas para fazer tarefas tradicionais, como folha de pagamento e marketing, e a indústria automotiva está prestes a seguir esta tendência”, diz McAlinden.

“Embora tais parcerias sejam bem vistas pelas grandes montadoras, que parecem mais interessadas em montar o conjunto final do que fabricar os componentes, o Sindicato dos Trabalhadores Automotivos e alguns fornecedores estão resistindo”, diz McAlinden.

Lloyd Mahaffey, diretor regional que supervisiona as atividades do sindicato em Ohio, afirma que ter empregadores diferentes sob um mesmo teto resulta em diferentes escalas de pagamento, benefícios e condições de funcionamento. “Temos que ser cautelosos ao decidir por esse tipo de arranjo”, adverte Lloyd.

“Fornecedores potenciais que construíssem e operassem uma unidade de pintura dentro de uma montadora gastariam de US$ 400 milhões a US$ 600 milhões em Ohio, por exemplo, custo muito alto para dedicar a um só cliente. “Alguns fornecedores têm receio de investir estando ligados a apenas uma montadora em vez de construir suas próprias fábricas, que poderiam atender diversos clientes”, complementa McAlinden.

A Chrysler poderá construir um complexo para a fabricação do Windsor em que os fornecedores iriam investir na montagem de unidades dentro da fábrica ou em um parque industrial próximo. Os trabalhadores automotivos canadenses concordaram com o conceito, e a Chrysler está buscando incentivos do governo para ajudar nos custos do fornecedor”, diz McAlinden. “A unidade DaimlerChrysler AG está discutindo o plano com os fornecedores e espera abrir uma fábrica até 2005”, diz a porta-voz Kerrey Kerr. “O conceito criaria 1.000 empregos na Chrysler e 1.500 empregos no fornecedor”, completa.

A Dana, um dos maiores fornecedores da Chrysler, não divulga se está discutindo tais arranjos. A empresa montava o “roling chassis” para a Chrysler, em uma fábrica próxima à montadora, para equipar a Dodge Dakota que era fabricada no país. “Hoje, a Dana utiliza a planta para fornecer componentes para outros clientes, como uma companhia de ônibus”, diz Corrigan.

A MetoKote iniciou seu sistema, chamado de InSite, com a John Deere, em 1990, em uma planta em Augusta, nos EUA, revestindo peças para tratores compactos. Este tipo de relação cresceu, tanto com a John Deere e com outras companhias, incluindo o fornecedor automotivo Torre Automotriz, de Grand Rapids, em Michigan. Hoje, responde por aproximadamente 30 por cento dos US$ 200 milhões em vendas no ano passado.

“Começamos a vender este programa”, diz Tim Klopfenstein, diretor da MetoKote, “e vemos isto como grande potencial de crescimento para nossa empresa. Os contratos do programa geralmente duram sete anos e a MetoKote garante o preço e as datas de início de produção”, diz Klopfenstein.

A MetoKote pode operar no chão-de-fábrica do cliente ou em uma unidade adjacente, utilizando o mesmo transporte. A empresa monta o equipamento de acordo com as necessidades de cada cliente. A unidade de Lima instalou sistemas de revestimento na fábrica da Dana no Texas, que fará chassis para o Chevrolet Colorado, e em Kentucky e Ontário, que farão chassis para a nova F-150.

Há diversos assuntos para se discutir sobre esse tipo de parceria, incluindo confiança entre montadoras e fornecedores. As companhias compartilham estoques e dados. “A Dana, de qualquer forma, está disposta a ter outros fornecedores dentro de suas unidades e também a instalar-se dentro das montadoras”, diz Corrigan. A MetoKote é o primeiro fornecedor “in-house” de Dana. “É um sistema de no qual damos um passo de cada vez, mas definitivamente mudará a maneira como a indústria é feita”, finaliza Corrigan.

No Brasil, a adoção deste tipo de relacionamento vem crescendo nos últimos anos. São diversos os exemplos, que vão desde o uso de compressores, ferramentas, gases a diversos processos de manufatura não-core. Se desejar saber mais sobre este tema, mande um mail para oe@dana.com .