AQUI TEM DANA: Prato Popular já serviu 60 mil refeições. Estes são os números. Mas e as pessoas?

O restaurante comunitário Prato Popular de Gravataí (RS), projeto que surgiu da parceria entre a prefeitura da cidade, a Dana, a Puras e a Kaiser, já serviu, em nove meses, 61.450 refeições a centenas de pessoas de baixa renda do município. Localizado no centro de Gravataí, na rua Coronel Sarmento, nº 1.426, o restaurante, que foi inaugurado no dia 13 de outubro de 2003, serve 300 refeições completas por dia ao preço de R$ 1,00 cada. Os pratos são preparados diariamente pela equipe da Puras, na cozinha industrial do complexo industrial da Dana, em Gravataí, e transportados para o restaurante em contêineres térmicos. O cardápio diário contém arroz, feijão e salada (todos com consumo livre), carne (uma porção) e complemento (uma porção).

Dito isto… repare que quase sempre que se fala em responsabilidade social sob o ponto de vista das empresas, focamos nos números. E as pessoas que freqüentam e se beneficiam? Que tal ter uma idéia do impacto deste tipo de ação?

O cardápio do dia é salada de cenoura, arroz, feijão, moranga refogada, carne moída. Histórias muito diferentes que se cruzam, personagens tão distintos se misturam. “Feijão com arroz”, prato típico do brasileiro, é motivo para muitos elogios do vendedor de carnês do Baú, Eugenio Leiria, de 46 anos, freqüentador do restaurante popular de Gravataí: “sou meio vegetariano, dispenso a carne da comida, mas um bom prato com verdura, legumes e o feijão com arroz básico, é tudo o que quero, principalmente se for bem feito”.

Eugenio freqüenta o restaurante há dois meses, por indicação de um taxista com quem um dia dividia a tristeza de não poder almoçar porque o dinheiro não seria suficiente. Usa o restaurante em torno de dez dias por mês. “No início do mês entra pouco dinheiro e não chega para o almoço”, comenta. Nos outros dias, quando melhora um pouco o rendimento, prefere ceder o lugar para alguém que esteja precisando mais do que ele, pois o local tem capacidade para servir 300 refeições diárias e, muitas vezes, a demanda é maior. Mas faz questão de dizer que a comida é bem melhor do que os outros lugares que costuma freqüentar. Porém, não pode deixar o paladar se sobrepor à solidariedade: “assim como estou cedendo o lugar para outros, um dia também posso precisar e alguém proceder da mesma forma comigo”.

A artesã Sonia Maria Lucas, de 57 anos, tem orgulho de dizer que foi uma das primeiras a se cadastrar no restaurante popular. Uma das qualidades do lugar, que não cansa de reforçar em seus comentários, é o sabor da comida, especialmente o feijão. “A comida aqui é muito equilibrada, além de gostosa, o feijão é maravilhoso. A gente almoça e fica satisfeita durante toda a tarde”, declara.

Sonia divide um espaço em uma pequena casa de artesanato no centro de Gravataí, com outras cinco artesãs, onde vende seus produtos, sua única fonte de renda. Almoça no restaurante uma ou duas vezes por semana, conforme a escala de trabalho. Acha o ambiente acolhedor e gosta de conviver com outras pessoas “de verdade”, diz em tom de brincadeira. “São pessoas humildes, que trabalham muito, têm muitos problemas, povo mesmo”, diz. Para ela o restaurante popular foi uma das melhores coisas que aconteceu na cidade, pois faz mais do que servir refeições, presta também um serviço social, pois “muitos são tão humildes que não conhecem nem mesmo hábitos básicos de higiene e organização e aqui têm oportunidade de aprender coisas simples como lavar as mãos antes da refeição e, ao final, deixar sua bandeja no balcão ou separar o lixo orgânico”, completa Sonia.

Luciano Santos da Silva tem um sorriso tímido, um olhar distante e um coração sem medidas, onde guarda todos os bons amigos que levou e conquistou no Restaurante Prato Popular. Segundo Cristiane, assistente social e administradora do restaurante, Luciano já é da casa. “Nós já o adotamos, todo os funcionários tem muito carinho por ele”, diz.

O garoto de 12 anos desde muito cedo sabe que não é fácil ganhar o pão. Órfão de pai e mãe, mora com um dos seis irmãos em uma vila da periferia. No período da manhã ajuda nos afazeres da casa, engraxa sapatos e vende frutas no centro da cidade e, após o almoço no restaurante popular, vai para a escola onde cursa a 6ª série do ensino fundamental. Luciano começou a freqüentar o restaurante desde a sua inauguração. Chegou no primeiro dia, falou com a Cida, assistente social da Dana, e perguntou se poderia almoçar naquele dia. Muito satisfeito, no dia seguinte trouxe outros amigos, e no outro mais alguns. Porém, passada a primeira semana, recebeu a notícia de que a refeição custaria R$ 1,00. A quantia, que para muitos é insignificante, representava o fim da comida boa. Mas não se deu por derrotado, procurou novamente pela Cida e com alegria foi informado de que ele e seus amigos teriam as refeições totalmente subsidiadas pela Dana.


Ao todo, são vinte meninos com idade entre oito e quinze anos que todos os dias têm garantida pela Dana uma refeição de boa qualidade e valor nutricional, além da acolhida calorosa da grande família que formaram lá.

Nelci Espiger, uma desempregada de 48 anos, mantém o sorriso firme no rosto e não solta da mão da sua filha, Maria Elisa Espiger, de 17 anos, deficiente mental. Ela é uma das pessoas mais conhecidas dentro do Restaurante Prato Popular, porque, desde o primeiro dia de seu funcionamento, é ali que ela faz as suas refeições, sempre acompanhada pela filha. “Eu tento sempre olhar pelo lado bom das coisas. O fato de eu estar sem emprego fica menos sofrido quando penso no tempo que posso estar cuidando da minha filha, que é minha companheira para qualquer programa”, conta, emocionada.

Dona Nelci mora no Bairro São Geraldo, mas nem se importa de ser longe do centro de Gravataí, onde fica o restaurante. A filha tem passe livre no ônibus para as duas e, enquanto a filha fica na COFAMEG, uma escola para deficientes mentais, a mãe procura trabalho como doméstica pela cidade. Duas vezes ao mês ela limpa uma casa de família e é dali que tira o sustento para as duas. “Eu passo o mês com estes R$ 60,00 que ganho”, relata.

Ela diz ter esperança em um futuro melhor, e se diz uma batalhadora. “Eu cato latinhas e papel na rua, também. Quando a Maria Elisa está sozinha, todos os garis da rua cuidam dela por mim porque me conhecem e sabem que a nossa vida é dura”, acrescenta. Ela diz que o restaurante dá a sua refeição mais forte do dia, faz questão de afirmar que o diferencial ali é que a comida é preparada com amor – e uma prova de que ainda existem pessoas boas no mundo.

Na mesa ao lado dela, duas amigas conversam animadamente. Tereza Ribeiro Corrêa, aposentada de 65 anos, diz que o Restaurante Prato Popular é uma bênção de Deus. Ela está tentando conseguir emprego limpando casas, porque é difícil manter-se só com a aposentadoria que ganha graças a 23 anos de trabalho numa empresa de plásticos. Ela adora o restaurante e gosta muito da Dana, onde seu filho de 26 anos, Paulo Ricardo, trabalha. “Em casa, eu não tenho mantimentos para preparar a comida, e a maioria das pessoas trata os idosos como se fossem lixo”, afirma. “A vida não é fácil, mas estou sempre na luta, não posso desistir de querer um futuro mais tranqüilo”, complementa.

A amiga que indicou o restaurante popular para Tereza chama-se Marisa Zaira Fraga de Freitas, empregada doméstica aposentada e pensionista do INPS. Ela também está na busca por um emprego para melhorar de vida e gosta de almoçar no restaurante porque ali conheceu muitos amigos. Assim ela conversa e esquece um pouco da dura realidade. “Todos são muito carinhosos aqui, o lugar é muito limpo e a comida é uma delícia”, elogia. Ela vem de uma família humilde, por isso trabalha desde os nove anos de idade – tendo perdido sua mãe aos cinco anos e se sujeitado aos maus tratos do pai alcoólatra até a adolescência. Ela tem dois filhos, mas mora com apenas um deles, Eduardo Vanderlei, que tem 38 anos e sofre de leucemia. “Ele é o meu xodó, rezo para Deus dar um destino melhor para a gente, pois não temos condições de viver com tão pouco dinheiro, é dificílimo conseguir emprego justamente por morar longe do centro – e nos bairros mais carentes é que ninguém vai precisar de empregada doméstica”, afirma.

Três meninas logo mais adiante chamam a atenção por estarem vestidas com um uniforme chamativo de um cursinho pré-vestibular. Elas trabalham como panfleteiras nos semáforos. A turma é composta pelas falantes Johanna Cardoso, 11 anos, Lucélia Santos, 17 anos e Júlia Gracieli de Oliveira, 18 anos. Elas almoçam todos os dias no restaurante – Johanna há três anos, e Lucélia e Júlia, há um mês. Acham a comida uma delícia e são inseparáveis até na hora de almoçar (neste dia, faltou uma cadeira na mesa e uma delas improvisou um assento só para não sair de perto das amigas). As três moram em bairros carentes de Gravataí, a Cohab C e Rincão da Madalena, mas não se deixam abater pelas dificuldades. Sonham em fazer faculdade e têm os olhos cheios de expectativa para a vida que está começando a se apresentar para elas. Caminham o dia todo e fazem questão de manter o sorriso no rosto.

Implementação do Prato Popular

A prefeitura de Gravataí foi responsável pela locação do espaço, infra-estrutura e contratação da equipe de atendentes do restaurante. Para freqüentar o Prato Popular, que funciona de segunda à sexta, o visitante deve preencher um cadastro e comprovar que possui renda inferior a R$ 120/mês ou nenhuma.

A implementação da unidade de Gravataí envolveu a aplicação de cerca de R$ 100 mil, investidos pela prefeitura e pelas as empresas parceiras, e tem um custo de manutenção avaliado em até R$ 10 mil mensais, em média. Graças ao importante incentivo do Governo Estadual do Rio Grande do Sul, 75% deste valor pode ser abatido do ICMS – um excelente exemplo da união de forças do poder público e iniciativa privada em prol da sociedade. O projeto dos restaurantes populares é concebido a partir da contribuição das empresas, que assumem o valor da diferença entre o preço de R$ 1,00, cobrado dos freqüentadores, e custo da operação e da preparação das refeições.

Projeto-piloto que já rendeu frutos

O Prato Popular Restaurante Comunitário nasceu da vontade e da iniciativa de João Vontobel, executivo da Vonpar, terceira maior distribuidora de produtos Coca-Cola no Brasil. O projeto tem por objetivo proporcionar refeições com qualidade para uma população menos favorecida, pelo desenvolvimento do espírito de responsabilidade social nas empresas.

A primeira unidade do restaurante comunitário foi inaugurada em Porto Alegre, no primeiro semestre, no prédio da antiga fábrica da Vonpar, e marcou também o lançamento do Programa de Alimentação e Nutrição do Estado do Rio Grande do Sul. Novas unidades já estão em operação em outras cidades, com o apoio de outras empresas.

Temos noção de que uma iniciativa deste tipo é insuficiente para atender a demanda de uma sociedade como a brasileira. Mais empresas podem e devem se engajar. Será um prazer dividir o know-how com a sua empresa. Nós da Dana e nossos parceiros – Prefeitura Municipal de Gravataí, Governo do Estado do Rio Grande do Sul, Puras e Kaiser – teremos o maior prazer em contar como você e sua empresa podem fazer a diferença para mais pessoas. Mande um e-mail para alo@dana.com e a gente combina uma conversa.