Volta ao trabalho anima montadoras

Valor Econômico

 

O número de trabalhadores afastados na indústria automobilística hoje equivale a 10% do total do Natal de 2015. Por conta da ociosidade, há dois anos mais de 35 mil temiam ser demitidos. Parte deles estava com contrato de trabalho suspenso. Os demais tinham, em média, uma folga por semana. No mês passado, o total de envolvidos nesses programas ficou em 3,5 mil e a tendência é o número diminuir.

 

Há um ano, mais de 11 mil estavam nesses programas. O excesso de pessoal é um problema ainda não resolvido nas montadoras, que operam com ociosidade de 45% em média. Mas preocupa cada vez menos à medida que a maioria dos afastados voltou ao trabalho por conta da necessidade de elevar a produção.

 

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antonio Megale, estima que até meados de 2018 não haverá mais “layoff ” (suspensão temporária do trabalhador) nas montadoras. Por outro lado, ele defende a permanência do Programa Seguro Emprego, como uma ferramenta permanente à qual as empresas podem recorrer quando necessário. Nesse programa, o governo cobre, com recursos do FAT, parte da redução do salário que resulta da jornada menor.

 

A produção de veículos alcançou em novembro 249 mil unidades, uma alta de 15,2% na comparação com o mesmo mês de 2016. De janeiro a novembro foram produzidas 2,48 milhões de unidades, um crescimento de 27,1% em relação ao mesmo período do ano passado.

 

As exportações ajudaram em grande parte. Novembro foi o melhor mês da história da exportação desse setor. Foram enviados ao mercado externo 73,1 mil veículos, um avanço de 28,8% em relação ao mesmo mês do ano passado. O volume gerou receita de US$ 1,13 bilhão, uma alta de 17,2%.

 

“Foi um resultado excepcional”, diz Megale. Com a crise, as empresas se esforçaram para atrair outros mercados. A estabilidade cambial também ajudou. “O avanço tecnológico nos carros, por conta do programa Inovar-Auto, também abriu caminhos”, diz. No acumulado do ano, a receita com as exportações somou US$ 11,8 bilhões, uma alta de 44,9% em relação a igual período de 2016.

 

Com 204,2 mil veículos, o mercado interno cresceu 14,6% ante mesmo mês de 2016. São 2,03 milhões de unidades, no acumulado de janeiro a novembro, com avanço de 9,8% na comparação com igual período de 2016. A Anfavea estima que as vendas internas em 2017 aumentarão 9%. (Valor Econômico/Veículos Marli Olmos)