Segunda geração do Tiguan virá para brigar no segmento de SUVs

Valor Econômico

 

O Tiguan é, segundo a Volkswagen, o utilitário esportivo mais vendido na Alemanha. Um sucesso que a marca pretende transferir para o Brasil o mais breve possível. Mais do que isso, quer usar o modelo como bandeira para explorar o terreno dos SUVs, onde ainda tem presença fraca.

 

A segunda geração do Tiguan chegou ao mercado no ano passado, agora montada sobre a plataforma modular MBQ. Além do uso de materiais de alta resistência, com benefícios diretos para a proteção dos ocupantes em caso de acidente, e aplicação em diferentes modelos da linha, a Volkswagen assegura que essa base “leva a uma melhoria em todas as propriedades do veículo”.

 

Visualmente, essa segunda geração traz um tempero mais esportivo, com as caixas da rodas agora arredondadas e a assinatura de design que integra os cromados da grade ao interior dos faróis.

 

Oito opções de motores podem equipar o Tiguan na Europa. Dessas, duas opções do motor TSI de quatro cilindros, injeção direta e turbo foram oferecidas para avaliação, com 180 ou 220 cavalos, ambas a gasolina. A versão de acabamento disponível era a Highline, a mais sofisticada da linha.

 

No caso do motor de 180 cv, a potência máxima é atingida com 6 mil rpm, enquanto o maior torque (32,6 kgfm) está disponível entre 1.500 e 3.940 rpm. Na prática, as respostas ao acelerador são bem satisfatórias, embora, é claro, até pelo perfil do modelo, o Tiguan não se destaque entre os carros velozes em uma Autobahn. A Volkswagen anuncia aceleração de 0 a 100 km/h em 7,7 segundos e máxima de 208 km/h. A montadora também afirma que esses motores estão até 24% mais econômicos, o que só será possível checar nos testes com o combustível vendido no Brasil.

 

A transmissão automática 4Motion equipa de série o Tiguan a partir do modelo avaliado. Com sete marchas, tem dupla embreagem e distribui a tração pelas quatro rodas. O modelo ganhou um seletor giratório no console para escolha da condição de uso dos recursos fora-de-estrada. Não é novidade, mas é prático.

 

O trabalho equilibrado e a estabilidade oferecidos pela suspensão do novo Tiguan agradam. O conjunto absorve bem as irregularidades do piso – se é que se pode chamar a eficiente sinalização de solo adotada na Europa de irregularidade – e não permite que a carroceria balance muito.

 

Rápidas mudanças de faixa são feitas com firmeza, sem oscilação da carroceria. Esse é um dos pontos de destaque ao rodar com o Tiguan, cujo comportamento lembra mais o de uma boa e velha perua. Em outras palavras, é um SUV que preserva o prazer de dirigir um carro.

 

A Volkswagen aproveitou a adoção da plataforma MBQ também para atualizar recursos de conforto e segurança, como alerta de saída de faixa e aviso automático em caso de acidente. Os pedestres estão fora do carro mas não das atenções da montadora, que incluiu um recurso de monitoração para pessoas na rua e um capô que reage ativa e instantaneamente em caso de atropelamento a fim de reduzir os efeitos do impacto.

 

O Tiguan cresceu nessa geração, e tem agora 4,486 metros de comprimento, onde ganhou mais 6 cm (foram 7,7 cm no entre-eixos). Bem espaçosa, a parte traseira do modelo agora acomoda melhor os ocupantes; para ajudar, o banco traseiro é dividido, e pode ser parcialmente reclinado e ainda deslocado para a frente a fim de ampliar o espaço do compartimento de bagagem.

 

Mas a boa nova para o consumidor brasileiro não é exatamente essa segunda geração do Tiguan. A Volkswagen decidiu esperar até o ano que vem a fim de trazer para o Brasil o Tiguan Allspace, com sete lugares. Apresentado no Salão de Genebra, o modelo entrou em pré-venda no mercado europeu em maio e as primeiras entregas começam em setembro. O início das vendas no Brasil está previsto para o primeiro trimestre de 2018.

 

Montada a partir da versão Trendline, a Allspace passa a contar com mais 21,5 cm no comprimento e 10,9 cm na distância entre-eixos. A identidade visual do modelo traz detalhes no design da dianteira, capô e linha das janelas que o diferenciam do Tiguan de cinco lugares e o aproximam do Atlas, SUV de porte maior desenvolvido pela VW para o mercado dos Estados Unidos (leia reportagem acima).

 

Se a nova geração do Tiguan evoluiu, o modelo continua representando um desafio para a Volkswagen no Brasil. Seu preço atual parte de R$ 127 mil, e a concorrência não para de reforçar o time. O valor de uma Allspace – de 180 cv ou 220 cv, ainda não está definido – terá de ser cuidadosamente calculado para que a VW entre de fato em campo, preparando o terreno para as novidades que planeja lançar. (Valor Econômico/Marcus Vinicius Gasques)